LUIZ GERALDO MAZZA
Aquilo que marca
Dos candidatos principais qual a principal tatuagem: Gleisi pagará mais pela perseguição ao Paraná por parte da União ou pelos feitos do seu assessor de gabinete envolvido em pedofilia ou ainda pelas ações de André Vargas; Beto Richa por haver quebrado o Estado e não ter obras e Requião por haver assinado o acordo com a EcoCataratas que baixou 30% na tarifa em troca de não duplicar a 277. Isso aí não é tudo, mas pelo material até aqui exposto dá material para um bom pega.
Até agora o grupo mais arregimentado para ataques é o da dissidência do PMDB enquanto a justiça eleitoral o permitir, pois certamente chegará um momento em que a contundência dos ataques discutirá a legalidade desse procedimento ante o princípio da fidelidade partidária. Enquanto isso não acontece, o agrupamento mais ruidoso, comandado por ex-defensores de Requião, como o secretário municipal do partido, Doático Santos, tenta dar capilaridade ao movimento em cima das ações do irmão Eduardo no Porto e nos desdobramentos da Operação Dallas da Polícia Federal que botou alguns personagens na cadeia.
No passivo da quebra financeira, Beto Richa inclui Requião e cita eventos como o do não pagamento da parte cabível do governo na ParanaPrevidência (aí também o denunciante é réu), dívidas de R$ 4 bilhões no Pasep. Ao dividir sua cota de responsabilidade neste caso reduz o peso da denúncia genérica que faz à Gleisi Hoffmann. O fato indesmentível é a quebra estatal: afinal o orçamento de 2014 atingiu R$ 35 bi e o do exercício seguinte é de R$ 38 bi. Só esse número dá uma ideia do agigantamento estatal e sua baixa eficiência e o governo tem dificuldades para pagar contas miúdas a fornecedores e prestadores de serviço e até aos que alugaram suas propriedades e agora pedem despejos judiciais e isso se deve aos dois últimos governos em peso igual de ineficiência.
Mesmo para as coisas mais complexas há respostas: quanto ao contrato com a EcoCataratas (aquele que trocou 30% de baixa nas tarifas por dispensa das obras de duplicação), logo após Requião foi à justiça para anular o acerto, não se sabendo se o arrependimento se revelou eficaz. Alternativas eleitorais não abrem qualquer perspectiva para um mínimo de esperança quanto ao futuro próximo e distante do Paraná, essa é a dura verdade, apesar das acrobacias que os candidatos farão mexendo no emocional dos eleitores.
Vice
Segundo Ogier Buchi, a candidata Gleisi Hoffmann deveria ser impugnada porque escolheu seu vice fora dos prazos. Como o vice do PRP renunciou, ele está agora no mesmo tipo de situação que acusou na candidata do PT e pela qual é investigado por litigância de má fé. Por sinal que até agora há 16 casos de desistência na justiça eleitoral. Um deles desabafou: "é pior, muito pior, do que vestiba".
Discriminação
Há um esforço até jornalístico para provar que o Paraná é discriminado, mas olhando as tabelas levantadas somos o menos dependente da União ao lado de Rio e São Paulo, o Brasil desenvolvido. Ocorre que unidades como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina tem projetos, propostas e ação político-administrativa, daí aparecerem com melhor retorno em investimento. Sob FHC éramos o 25% e agora, sob o lulopetismo, estamos em 24%. Batemos em autonomia nossos vizinhos do Brasil meridional e não nos mexemos em projetos como fazíamos no neysmo o que não nos impedia de reclamar sempre da discriminação. O chororô continua, mas não temos obras de expressão. O Paraná autofágico é esse: queima suas enormes receitas simplesmente com seus custos, obra prima de incompetência.
Folclore
O urbenauta Fenianos sobre o nome do bairro Boa Vista: uma versão é a de que decorre do belo cenário da sesmaria dos Geronasso; outra é a de que havia um cego de uma vista que não errava alvo com sua espingarda: era o Boa Vista.





