LUIZ GERALDO MAZZA
Conflito produtivo
Nossa sociedade, por seus pactos internos e em nome da cordialidade, abomina conflitos porque eles sempre a desvelam, mostram suas entranhas. É o caso desse pega entre associações municipais e o Tribunal de Contas: elas se queixam que o rigor contra as cidades, o que é verdade inquestionável, e os seus gestores, não é o mesmo aplicado ao vizinho do Palácio Iguaçu, e citam o caso das despesas com saúde, burlado oito vezes nos últimos doze anos e assimilado com um tom de advertência repetitivo e até respeitoso.
E no meio das retaliações cita-se uma série de mumunhas dos dirigentes municipalistas, nepotismo e tráfico de influência, como se isso não permeasse a natureza dos entes públicos. A reação do TC é para evitar perda de poderes de fiscalização na lei que se pretende votar no Legislativo em comum acordo com dirigentes municipalistas num momento eleitoral e de baixo oportunismo.
Não faz muito tempo houve denúncia de que a mulher de um ex-presidente do Tribunal de Contas mantinha uma consultoria com dezenas de prefeituras. Houve barulho, mas até agora não se sabe detalhe da solução encontrada. Aníbal Khury deixou uma lição histórica de como lidar com os hormônios do TC em relação a municípios: tinha, engavetada na Assembleia, como um espada de Dâmocles sobre a cabeça dos conselheiros, um anteprojeto de lei que criava um tribunal só para o exame da legalidade orçamentária municipal. Bastava uma onda articulada de pressões contra municípios da base do Buda e ele tirava o papel da gaveta e o ameaçava incluir na ordem do dia, embora sabendo a inconstitucionalidade de tal medida. Valia-se do artifício, elegantemente, para esgrimir com alguns dos conselheiros mais impulsivos e tentar com isso contê-los.
Houve tempo em que a queixa contra conselheiros nas ações municipais era pelo fato de seus filhos serem candidatos e supostamente buscarem espaços nas bases com formas nem sempre sutis de pressão. Isso foi levantado várias vezes. Também denúncias contra filhos que atuam, por exemplo, como operadores portuários, chegaram, há tempos, nos jornais.
O fato é que dependemos desses conflitos ocasionais (e com intervenção de forças externas como a justiça federal, MP e polícia federais ou CNJ como no caso da eleição do conselheiro Fabio Camargo ou da Operação Dallas) para termos um mínimo de informação. O desvendamento da licitação do Anexo pelo Gaeco é uma ocorrência inusitada partida de órgão estadual e que deveria ser rotina em todo o arcabouço público.
Cartões
Desvendada uma fábrica de cartões de crédito no Bigorrilho. A propósito: a carga contra jogos de azar não impediu que a última extração ocorresse e houvesse prosseguimento nos dias seguintes. Monteiro Lobato aconselhava: querem acabar com o jogo do bicho? Oficializem-no. Bichopar ou Bichobras, tanto faz. Aliás o monopólio da batota legal é da Caixa.
Diplomacia
Nota oficial do Tribunal de Contas negava retaliação, mas confirmava a auditagem em Nova Olímpia. Um pouco de sacanagem está na procura dos deputados em época de eleição e pegando o TC num mau momento em função do flagrante pelo Gaeco na fraude da licitação da construção do Anexo.
Folclore
Em 1951, Bento Munhoz da Rocha Neto, governador, reuniu seus familiares e os da clã dos Camargo, bem como dos afins, para comunicar que iria fazer a maior intervenção urbana da história de Curitiba com o Centro Cívico e obras do Centenário como o Teatro Guaíra e a Biblioteca Pública e que se soubesse de qualquer movimento especulativo em cima dos projetos os denunciaria. Cartão vermelho prévio em lugar do amarelo.





