Recuperando Ricúpero
Quando, descuidadamente, o ministro Rubens Ricúpero afirmou ao repórter, isso em rede nacional, que o bom se divulga e o mal se oculta estava apenas dizendo o óbvio sobre os governos e as notícias. Nos Esteites e em alguns países da Europa seria fatal o flagra da indiscrição e o peso da mentira, mas no Brasil isso passou batido e nada alterou, embora ocorrido na campanha eleitoral. l.

Estávamos habituados, aqui no Paraná, a ver o governo se valendo para a sua promoção de dados macroeconômicos que nem sempre indicavam que aquilo viesse de uma eficiência governamental, como se a gestão pública, o que é um absurdo, fosse mais relevante que outros atores econômicos e sociais como empresas, cooperativas, transportadores ou a massa de trabalho. Bastou que surgissem os primeiros sinais de crise e houvesse inversão expressiva nesses indicadores para que o governo esquecesse registros do IBGE e Fundação Getúlio Vargas.

Por exemplo, a produção industrial de janeiro a maio revelou que a indústria da terra, que acumulava médias sequenciais superiores às nacionais, sofrera queda de 1,7% pouco superior à brasileira de 1,6%, segundo o IBGE, analista frio até aqui sem sinais do "aparelhamento" desejado pelos compulsivos. Outro indicador foi o Caged, Cadastro Geral de Emprego e Desemprego, a mostrar que no Paraná foram criados 48% menos empregos no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado.

Como há um processo de "desindustrialização" atingindo todo o país, em que pese a flexibilidade das atividades do agronegócio, mais adensadas e melhor ajustadas em calendário, não há como fugir de uma condicionante apesar dos estímulos concedidos a segmentos como o das montadoras e da linha branca na política de desonerações. O pavor de assumir os ônus de sua atuação, que levou Beto Richa a confundir o público na pretensão tarifária da Copel, e que virá aprofundar os gravames dos custos industriais, é revelador dessa postura a qual ainda falta, claramente, o talento e o currículo do mestre Ricúpero, que até em situação constrangedora e de saia justa é mais criativo e verdadeiro.

Zoo
O episódio do menino mutilado por um tigre no zoológico de Cascavel reaviva a necessidade de cercar esses locais de medidas mais severas de segurança e alertar igualmente os pais para não haver desrespeito a áreas de risco. Apesar de todas as cautelas e técnicas, postas a serviço da prevenção, são comuns os acidentes, isso sem falar no desrespeito a normas elementares como a de não alimentar os animais.

Nos anos setenta, no zoo de Brasília, uma criança caiu no fosso de ariranhas e um militar se empenhou em salvá-la, mas sofreu tantos cortes pelo corpo que acabou morrendo no hospital. O episódio ganharia outra dimensão política porque o jornalista Lourenço Diaféria, em crônica, comparou o heroísmo do cotidiano ao formal atribuído a Caxias, o que lhe rendeu prisão e enquadramento na Lei de Segurança Nacional como era o hábito da moda.

Mudanças
No momento em que se fazem mudanças como a da "via calma" e faixa exclusiva de ônibus na Capital, e que mexem no sistema de mobilidade urbana, urge chamar atenção para acidentes com pedestres como o que matou um deles, ancião, na Praça Santos Andrade.

Explodiu
Requião se recusou a responder uma pergunta sobre acordo que fez no pedágio trocando a obrigação da segunda pista na BR-277 por baixa na tarifa na CBN de Cascavel alegando que o próprio entrevistador, Cantini, teria perdido para o senador um direito de resposta sobre o assunto. E tirou o time do estúdio.

Folclore
Os times do Flamengo, São Paulo, Internacional e Grêmio estão com os mesmos técnicos de 19 anos passados, uma projeção perfeita da política nacional e sua renovação de talentos.

mockup