"Boa parte deles nada representa além da missão de fazer o papel de laranja e transferir a alguma aliança tempo de rádio e tevê"





Dissidência confusa

Desde quando se tentou botar camisa-de-força nas ideias com a verticalização percebeu-se que não é fácil fazer da lei um auto-de-fé. Ficou claro que não há como impedir a dissidência e ao contrário admiti-la é decorrência do racha em partidos grandes como o PMDB, onde o apoio a Dilma Rousseff não teve a maioria absoluta e revelou uma oposição densa que se respaldaria também na orientação das estruturas regionais e nos seu pactos de conveniência.
A decisão do TRE de admitir a dissidência do PMDB, majoritária no Legislativo e derrotada na convenção, pode manter sua atuação entre os componentes do grupo mas impedida de pregar Beto Richa para o governo, embora a decisão judicial tenha entendido que não é de sua competência intervir no que considera uma pendência interna.
Na realidade, à exceção do PT, ainda o mais articulado dos partidos, apesar de suas tendências internas, os grêmios brasileiros são desestruturados e sem unidade doutrinária. Torna-se ocioso os cientistas políticos lamentarem a alta fragmentação da opinião pública representada pelo grande número de siglas, aliás boa parte deles nada representa além da missão de fazer o papel de laranja e transferir a alguma aliança tempo de rádio e tevê.
É verdade que essa liberação à dissidência precisará ser melhor regulada já que envolvimento em comício de outra sigla pode dar margem à interpelação em cima de outra fragilidade, a tal da "fidelidade partidária" que justifica até cassação de mandatos. Os peemedebistas, que estavam arrogantes antes e durante a convenção, serão propagadores tácitos de Beto Richa, algo como aquele chapéu de burro que se colocava na cabeça dos maus alunos no ensino fundamental do passado. Será uma lembrança permanente da derrota e do vexame, mas lições morais não pegam bem nas nossas práticas políticas e eles persistem felizes, apesar dos constrangimentos, com a opção adotada.

Skate
Amanhã os skatistas da Capital saem em passeata para celebrar o seu dia e, é claro, colocam suas reivindicações por mais espaços para suas práticas. Um dos seus hábitos de alto risco está no uso dos calçadões como circulação interativa e ainda no das canaletas exclusivas. Não podem se achar com direitos semelhantes aos dos ciclistas porque aí outros entrariam em cena como os patinetes tanto os movidos pelos pés como os elétricos e motorizados.

Novidades
Testes importantes para a circulação são feitos na gestão municipal como o das pistas exclusivas para ônibus e o da via calma. Operam experimentalmente e têm chances, de pelo condicionamento do público, de emplacar. Há tempos não temos intervenções do gênero na cidade que podem melhorar a mobilidade geral pelo ganho em velocidade dos ônibus.

Youssef
O doleiro Alberto Youssef acabou sofrendo um infarto. Não é para menos, tal o estresse e a carga dos procedimentos a que responde. Teve que deixar o cárcere para ser atendido em hospital.

Respostas
O tom duro da condenação a Israel pelo Brasil teve resposta considerando-nos irrelevantes, diplomaticamente mais forte e ácida. Já o avanço tímido no IDH mobilizou ministros da área social para contestar indicadores usados. Espera-se o repique aos israelenses, ainda mais no clima eleitoral, em função mesmo da violência desproporcional no teatro de guerra e do genocídio.

Folclore
O médico Esperidião Ferez, atleticano, costumava esquecer que era presidente da Federação Paranaense de Futebol e num jogo do rubro-negro se irritou com a marcação do juiz e arremessou seu enorme guarda chuva em sua direção. Parecia um arremesso de dardo e dali a pouco choveu e ele, desabrigado, pediu a um dos bandeirinhas que lhe devolvesse o guarda-chuva.

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