LUIZ GERALDO MAZZA
Mais evidência
A pesquisa de emprego divulgada ontem pelo IBGE é substancialmente afetada pela greve dos trabalhadores da instituição e a relativa ao Paraná, atribuída ao Ipardes do governo estadual, deixou de ser feita por imposição de economia e da crise financeira. Em lugar de fechar muitas das inócuas e improdutivas secretarias, entre as mais de trinta existentes com o seu exército de aspones, o governo suprime um instrumental indispensável para identificação do mercado e exercício do planejamento, das possíveis intervenções normativas que poderia exercer no sentido de melhorar o cenário.
Prova de falta de rumos, do agir sem bússola que marca esses nossos dias tão lamentáveis. Obviamente uma aliança de 17 partidos, como a estabelecida entre os ávidos aliados, torna impossível qualquer prática de austeridade: afinal como fazê-lo, sem manter, a esperança de espaços no governo para uma fauna tão diversificada?
A euforia, decorrente da liderança nas intenções de votos, tem poder anestesiante como se dava com a seleção brasileira até as oitavas de final e para os triunfalistas não há riscos na trajetória, embora a possibilidade, e isso a qualquer momento, de novos vetos do Tesouro Nacional ao Paraná por falta de exação em dispêndios com pessoal e saúde em função de um pacote recente de doze aumentos a professores, policiais, bombeiros, reestruturação na saúde e aquele famoso auxílio-moradia de juízes e promotores. Esse novo veto como as goleadas da Alemanha e Holanda, dez a um, marcaria a ferro e fogo a farsa do choque de gestão ora transformado em congestão.
Ideologia
Há um lado perverso, obreirista, nas intervenções sindicais que se tornam incompatíveis com o sentido deontológico das instituições. Exemplo claro disso é a postura, essencialmente do gênero, no caso das associações de magistrados como a do Ministério Público quando defendem o auxílio-moradia, algo caricato, prosaico demais para o suposto lado missionário da instituição. E assim se dá também no meio universitário de uns tempos para cá impregnado desse horizontalismo que nega a prioridade às questões de ciência e tecnologia, e sobretudo as do mérito, tal qual se vê nessa crise do Hospital de Clínicas que para dela sair parece não ter alternativa se não o convênio com a empresa pública de amparo hospitalar, como tem argumentado o reitor Zaki Ackel.
No cenário da demagogia um saque como o de atribuir a essa adesão uma forma de privatização, palavra demonizada pela esquerda genérica, funciona, embora seus agentes não abram mão do telefone celular, que se fosse estatal não existiria. Outra jogada é a de ver no contrato a perda da autonomia universitária, explicação que não resiste a exame como se fosse necessário convocar a Fifa para testá-la.
Cautela demais
Há excesso de cautela da Secretaria de Segurança em tirar do ar o blogue das polícias civil e militar sob o pretexto de infringência eleitoral. Tais meios difundem informes de utilidade pública, mas esse comportamento é seguido em outras unidades federativas. Se a Justiça Eleitoral breca informe sob o pretexto de que possa ter conteúdo proselitista ela acaba ampliando tanto o raio da interdição que deixa a campanha mais chata ainda do que já é.
Cavalaria
Agora a cavalaria de Requião está sendo acionada no Ministério Público e é estranho que essa mesma instituição não tenha detectado o tema na origem, evidência dos rituais da aldeia nutridos de cordialidade.
Folclore
Majoritária para duas vagas no Senado é sempre motivo para voto em branco: em 1962 a dupla Amaury de Oliveira e Silva (PTB) e Adolpho O. Franco (UDN) apoiada por Ney Braga, foi vitoriosa, mas tivemos 327.346 votos em branco, número maior do que o escore do segundo colocado (326.837). Acontece de novo.





