Refundando imagens
Na Europa, pouco depois da Queda do Muro, os partidos de esquerda, dentre eles os timbrados de comunistas, cuidaram de fazer a sua "refundação". É evidente que qualquer reciclagem sempre encontra resistência. A maior figura do PT brasileiro, que continua sendo Lula, percebeu que dá para ganhar essa eleição com Dilma, mas a próxima seria de alto risco diante da degradação da imagem do partido, em que pese as maquiagens, depurações e remoção de coisas como "socialismo" e revolução que lhe eram essenciais para adensar as facções internas e enriquecê-las na dialética das tendências.

O exercício do poder acomoda, o militante que distribui volantes ganha cargo em comissão e surge com isso à ideia de que chegou lá, o itinerário da revolução, mudou de "status". Essa cultura é tenebrosa, pois isso se dá mesmo com os que fizeram a revolução quanto mais aos que carregavam o líder do momento na cacunda.

Soa ridículo quando Requião fala em PMDB velho de guerra que nunca existiu, já que a referência seria ao MDB ao qual o senador nunca pertenceu à época mais ligado com teatro universitário e partidos acadêmicos. Mas é um apelo semelhante ao desejado por Lula em relação ao PT, aquele que vaiava presidentes e governadores e os hostilizava nas ruas, inclusive cercando os muros do Palácio do governo em São Paulo e ameaçando derrubá-los. Sabe-se que fruir o poder é algo que não tem volta: está aí o senador tentando pela quarta vez chegar ao Palácio e cujo caminho seria facilitado se o PT desistisse da postulação com Gleisi e Lula o apoiasse repetindo a frase de que gostava dele de graça.

O pior que essas reflexões não saem das intenções e vemos uma repetição disso na veterana CBF que nos acena com a refundação do futebol com Dunga e seus dirigentes protohistóricos.

Choque
Apesar da maliciosa intervenção junto a Aneel para que ela baixasse a tarifa da Copel na hora em que o usuário pagar a conta de agosto ele poderá dar uma de Beto Richa e mostrar-se surpreso com o achaque bem maior do que o índice de 23,8% anunciado. Embora o eletrochoque já não conste com a mesma frequência da parafernália clínica em psiquiatria, o cidadão se sentirá submetido a um trauma que lhe atinge o corpo e o bolso e que pode ditar o seu voto de protesto. O pior, no entanto, virá em 2015: outra pancada recuperando os percentuais ora suprimidos e mais alguma correção, tudo dissimulado porque não haverá eleições.

A baixa da tarifa de agora lembra o favor do coronel do passado quando dava um par de bota ao eleitor e entregava o segundo depois do voto. Essa de agora é pior do que o ritual de ontem, menos honesto e menos engraçado.

Negociação
Quem mais sofre com as rebeliões penitenciárias são os agentes de presídio que encararam 16 motins nos últimos oito meses, razão pela qual mostraram à secretaria de justiça que a origem disso estava no esvaziamento das delegacias para sobrecarregar o sistema. Agora como foi aceito que esse tipo de procedimento mudaria, limitado a 80 presos por semana e não por dia como vinha ocorrendo, voltaremos provavelmente às pressões de policiais para que se esvaziem de novo os distritos. Como sempre enxugando gelo e encaixotando fumaça, o choque de gestão da moda, logomarca da perplexidade.

Mobilizar defensores públicos, advogados do Estado, criminalistas, OAB num mutirão carcerário para reduzir a pressão é o caminho. Não é crível que inexista nos arquivos da assistência social informes sobre a família dos encarcerados e a distância desses domicílios da prisão, que poderia operar preventivamente nos casos de migração de uma unidade para outra.

Folclore
Suposição nada tem a ver com supositório a não ser no paciente profeta.

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