LUIZ GERALDO MAZZA
Em etapas, melhor
Ficou demonstrado com a negociação entre o governo federal, na verdade o BNDES, e o estadual, em referência aos débitos do extinto Badep, cuja liquidação extrajudicial foi solicitada por Alvaro Dias quando governador, que agir por etapas é mais ajustável do que tentar fazê-lo a tapas. Quem é dependente de empréstimos e com capitis diminutio em relação à LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal, quanto a gastos demais com pessoal e de menos com saúde, não pode atuar com soberba e arrogância ao ponto de pedir a prisão de agentes do Tesouro Nacional. É evidente que isso não significa que deva humilhar-se, o que não autoriza a prepotência e a exploração política infantil do episódio até porque pode vir novamente um bloqueio com o último pacote de doze aumentos de Beto Richa, dentre os quais o do auxílio-moradia de magistrados e promotores, prova inconteste de prodigalidade.
Essa negociação específica, delicada, que impõe diplomacia por sua natureza, vinha sendo feita por Luiz Carlos Hauly e foi concluída por Luis Eduardo Sebastiani, que por não ter viés político e ser mais técnico sabe encaminhar as coisas nas malhas da burocracia sem traumas. Como é, antes de tudo, um ato de saneamento fiscal - a remoção desse obstáculo no BNDES que serviu de fundamento para recente veto em cima dos empréstimos - espera-se que outros expedientes de igual natureza sejam adotados e que se recupere a imagem do governo tão onerada pela balbúrdia na gestão fazendária, tema que necessariamente será enfocado na campanha eleitoral e já alertado em advertência do Tribunal de Contas no balanço submetido a exame recentemente e a repetir-se, com absoluta certeza, no próximo pelo fato de não ter havido mudança de comportamento.
Endêmico
De novo rebelião na Penitenciária Central, com sequestro de agente penitenciário e repetição do ritual da conveniência/conivência e migração de presidiário. Um empate de incompetência e audácia. Tão previsível que ontem houve outra em Foz do Iguaçu. Merecemos?
Griffe
Polícia desbaratou gangue que operava no mercado de griffe: 13 presos e nada menos de 30 mandados de prisão e de busca e apreensão. Um dos líderes era de menor idade.
Devendo
Mais um levantamento desta FOLHA sobre problemas paranaenses que devem ser enfocados eleitoralmente: agora no campo da saúde, onde somos infratores e reincidentes de normas constitucionais que obrigam a um dispêndio de 12% quando pouco ultrapassamos os 10%. Aliás se há campo em que o governo falha é o social (educação, saúde, segurança), apesar da propaganda exagerada.
Ofensiva
Uma ofensiva já anunciada do mercado imobiliário em defesa da verticalização dos edifícios nos bairros pega o Ippuc num mau momento, embora com boa direção e sem quadros técnicos aptos para esse embate e ainda com seu poder de atuação prejudicado com a criação da pasta de planejamento. Não há mais escoras como no passado, também no setor de engenharia, para evitar transbordamentos da cupidez imobiliária. O predomínio do interesse de uma corporação agride o sentido moderno, participativo, da democracia. Precisamos de intervenções mais firmes do Instituto de Engenharia, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo e do Crea que recentemente criticaram o metrô.
Folclore
A Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, aprovou o pleito de baixa nas tarifas de luz e força: na aparência o governador Beto Richa foi generoso, mas não consta que deixará de recuperar a perda de agora, com correção monetária, no ano que vem, quando não haverá o inconveniente das eleições.





