LUIZ GERALDO MAZZA
Exercício necessário
A analogia sistemática entre os nossos indicadores e os do sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, devem constituir-se em rotina dos nossos estudiosos para ver a nossa possível evolução porque especialmente no campo social (segurança, escolaridade, expectativa de vida) levamos a pior no Sul Maravilha, às vezes nem tanto quanto apregoam. Além de ver como essa fração do Brasil (que a rigor só perde do sudeste) se desenvolve, é um gancho para avaliações sobre liderança política, formas de crescimento com mínimo de desajuste e padrões de colonização referenciais pelo equilíbrio e até pelos módulos municipais.
Reportagem de ontem desta FOLHA de Carolina Avansini mostrou que estamos perdendo também nas tarefas de "ressocialização" dos presos na questão do trabalho: no Brasil dos 548.000 presos nada menos de 111.910 trabalham, isso é 29,4%. Já no Paraná dos 31.310 apenas 3.863 trabalham, cerca de 12,3%. Dados esses de 2012, recentes, portanto, do Ministério da Justiça. No confronto com as unidades meridionais mais uma derrota de área social de primeira grandeza: em Santa Catarina de 16.620 presidiários 40,4% deles trabalham, expressivo número de 6.721, enquanto no Rio Grande do Sul de 29.240 presos 35% deles, isso é 10.280, estão no "basquete".
Essa é uma evidência de resultados de melhor gestão desses recursos humanos sob cumprimento de pena por ser expressão mais direta de ressocialização e numa perspectiva bem mais concreta para o retorno à vida normal em sociedade.
Essa deficiência no "social" é uma constante e justamente um segmento muito sensível que afinal expressa a visão de governo na reinserção social dos que sofrem penalidades. E isso acaba colocando mal os três poderes de Estado e em especial o Executivo e o Judiciário que operam irmanados na questão.
De repente a circunstância de estar no Paraná soa como estatística maldita, o que não é a impressão dominante quando se nota a frequência de institucionais, quase sempre triunfalistas, ainda mais agora perto da eleição.
Média nacional
Tenho defendido a tese de que há uma apropriação indevida por parte do gestor estadual dos indicadores, especialmente dos macroeconômicos, até porque é muito primário atribuir-se pelos feitos de todo o conjunto dos chamados agentes econômicos e sociais. Costumamos nos valer das médias nacionais para colocar em relevo no desenvolvimento industrial a nossa participação e não temos um detalhamento de quanto a omissão estadual nos prejudica mormente na infraestrutura rodoferroviária com seus gargalos e custos (vide a opção pelo pedágio, onde também as tarifas originárias de contratos estaduais se mostram as mais espoliativas) e o complexo portuário. Por sinal que aí também tendemos a perder em tecnologia e melhor opção de carga ante a malha portuária vizinha.
Pesquisas
É decretada a safra de pesquisas e saiu uma em Cascavel (*) em que Beto aparece com 42,5%, Requião com 25,2% e Gleisi com 16,5%. Raciocinemos: o prefeito é do PDT e a favor de Beto, mas não justifica que não migrem pontos partidários e mais ainda com a expressão do seu maior eleitor, hoje, Gustavo Fruet, e há a considerar ainda que o professor Lemos, do PT, polarizou o pleito com Edgar Bueno e com ele disputa o posto na Justiça Eleitoral.
Folclore
O governo estadual é como o Hospital de Clínicas: está numa crise tamanha que passa a depender de ações filantrópicas como as derivadas dos Amigos do HC. E isso está ocorrendo no sistema penitenciário com os parentes dos presos enviando artigos de higiene como sabonete e papel higiênico e também comida, sob alegação dos sentenciados que a gororoba é ruim. Ausência do papel higiênico é de tal ordem que um sentenciado teria dito "Caracas", embora ignorasse a falta do produto no socialismo do século 21.
(*) O Vox Data Pesquisa entrevistou 500 eleitores entre os dias 15 e 19 de julho em Cascavel. A margem de erro é de 4,38% para mais ou para menos e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa, encomendada pela Rádio CBN Cascavel, foi registrada no TRE sob o número 00003/2014.





