Como Beto argumenta que a crise foi gerada na gestão do seu antecessor, o hoje senador Requião, dá para esperar um engalfinhamento entre os dois, o que deixaria Gleisi mais acomodada

Nivelamento por baixo
Vivemos um mau momento na política e a sucessão é prova exuberante disso com os candidatos viáveis, os três principais, a revelar a queda de qualidade na representação. Tivemos, por exemplo, em várias oportunidades, a ocorrência de três ou mais candidatos ao governo estadual e isso se deu em 1960 com Ney Braga, Nelson Maculan e Plínio Franco Ferreira da Costa, dois da genealogia paranaense e o nortista representativo do universo pioneiro do café. Parada duríssima decidida no olho mecânico. Ney, deputado federal em 1958, em que só perdeu de Jânio que disputava pelo PTB de Souza Naves e a seu pedido; Plínio, mestre da escola de engenharia da Federal e também da bancada federal.
Tivemos eleições plebiscitárias como a de 1950 em que o próprio Getúlio Vargas ficou em cima do muro no pleito estadual pela altíssima qualidade dos disputantes, os engenheiros Munhoz da Rocha e Ângelo Lopes e a do retorno parcial à democracia em 1982 entre Saul Raiz e José Richa, dois de origem neysta, um como executivo excepcional e outro como articulador político.
Poder-se-ia dizer que aquelas eleições sintetizavam as melhores alternativas, o que não se dá com a de agora: percebe-se que o fato de o senador Requião estar nivelado, em potencial, tanto a Beto Richa como a Gleisi Hoffmann, que o trio se equivale em suas deficiências. Quando da eleição de 1960 Ney tinha um slogan "Nunca foi tão fácil escolher tão bem", mas o que decidiu a parada foi "quem é Ney é Jânio, quem é Jânio é Ney".
A apropriação era complicada porque a UDN cafeeira era por Maculan, mas este num rigorosismo ético, por causa da decisão nacional PTB-PSD, ficou com Lot, general que bloqueou a Marcha da Produção contra o confisco cambial do café justamente no norte paranaense. Na verdade quem venceria aquela eleição, não tivesse morrido pouco antes, seria o senador Abilon de Souza Naves.
Louve-se a audácia e determinação desde 1958 de Ney ao disputar pelo PDC a Câmara Federal em que perdeu de Jânio, mas venceu outro postulante nacional na figura do líder integralista Plínio Salgado e um regional, Accioly Filho. Teve que fazer praticamente a legenda, mas isso lhe deu fôlego para pretender a governança. Lembre-se que Plínio na disputa presidencial de 1955 ganhou o pleito em Curitiba e Ponta Grossa.

Beto, o alvo
Em função de estar no governo e à frente das pesquisas de intenção de votos, Beto Richa será alvo de um fogo cerrado por parte de Roberto Requião, que mostra divertir-se em fazê-lo, e de Gleisi Hoffmann. Material para ataque é de sobra: ausência de obras marcantes e a asfixia na maior crise financeira já vivida por governos paranaenses. Só que Beto tergiversa dando a entender que não há crise, mas simplesmente perseguição do governo federal e que personaliza em Gleisi, ex-ministra da Casa Civil.
Como Beto argumenta que a crise foi gerada na gestão do seu antecessor, o hoje senador Requião, dá para esperar um engalfinhamento entre os dois, o que deixaria Gleisi mais acomodada.
É evidente que isso empobrece a disputa, já que novamente o Paraná não será discutido seja na diagnose ou nas terapias de médio e longo prazo, mancha que marcou e oprimiu as últimas eleições, apenas assinaladas no código marqueteiro das agências de propaganda mobilizadas.
A passagem de Beto Richa pela Prefeitura de Curitiba foi chave no histórico, uma vez que teve um bom desempenho numa estrutura bem mais eficaz e flexível que a do governo estadual. Sua derrota na Capital mostra que seus feitos não foram suficientes ali para transferência ao seu vice Luciano Ducci, afinal esmagado na eleição, primeiro por Ratinho Júnior e depois numa avalanche por parte de Gustavo Fruet, cuja influência no pleito governamental não pode, de forma alguma, ser subestimada, ainda que não tenha grandes feitos de gestão.

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