LUIZ GERALDO MAZZA
Corrida do desespero
A evidência dos números negativos da economia (redução da atividade, inflação acima da meta, preocupação com o nível de emprego em corrosão em diversos segmentos) fez que caísse a ficha no QG do lulopetismo. Ao lado disso pesquisa DataFolha indica no segundo turno empate técnico entre Dilma e Aécio, embora no primeiro postulantes de oposição se tenham mantido no mesmo patamar, um com vinte pontos, outro com nove. No caso da polarização imposta Aécio fica abaixo de Dilma, todavia a margem de erro o favorece.
Como não há um Doutor Silvana ou Doutor No, aquele do OO7, no Ministério resta acreditar nas armas de manipulação ainda disponíveis: mais apoio aos setores protegidos como o das montadoras e a linha branca agora reforçado com a velha demanda do empresariado na oferta de crédito. O cobertor é curto e o afrouxamento num lado da economia gera distorção como efeito imediato em outro e assim por diante.
O fato é que a questão política, a eleição, se sobrepõe à técnica, relativamente aos resguardos da economia e todo e qualquer sacrifício acaba válido pela causa maior. O governo entende que ainda há espaço para o modelo centrado no consumo e no potencial do mercado interno, razão pela qual aposta tudo nessa perspectiva, vista pelos críticos como esgotada.
O principal fator de sustentação da conjuntura tem sido o nível de emprego já sinalizando queda discreta e o fator demográfico visível na redução drástica, feito de vários governos, incluindo o atual, da taxa de natalidade. Qualquer abalo, que rompa o frágil equilíbrio dos fatores, pode levar a ordem ao caos.
E consequentemente arrastar alguns dos fundamentos do governo brasileiro.
Tapeação
O governo paranaense empurra tudo com a barriga para mascarar a gravíssima crise financeira, presente, inclusive, nessa rebelião presidiária em que se oculta a escassez de material de limpeza, revelada porém em cartas dos presos aos seus familiares em que solicitam remessa de papel higiênico e sabonete. Como já se soube que houve escassez da ração para os cães farejadores da Polícia Militar não é de espantar um possível racionamento nos cárceres de cuja alimentação já se falou em Foz do Iguaçu quanto à forma de preparar o frango, se frito ou ensopado.
A crise permeia todos os setores e não apenas as universidades estaduais, alvo de um programa recente de corte em despesas e suspensão de licitações.
Se houver ação inteligente na campanha eleitoral veremos um governo que posa de prinicipesco em andrajos como morador de rua. Dá para imaginar o drama do pagamento das três folhas do funcionalismo de novembro, um pouquinho depois do fim do primeiro turno, se até lá não houver mais um bloqueio da Secretaria do Tesouro Nacional por infringência da Lei de Responsabilidade Fiscal quanto aos dispêndios do pessal com a força tarefa de 12 casos, incluindo o do auxílio moradia a juízes e promotores.
Lixeiras
Prosseguia ontem a remoção das lixeiras do Parque Barigui: constava de abertura ao subsolo e com lançamento de detritos num depósito depois removido na coleta. O custo da retirada foi mais ou menos o da colocação: R$ 1 milhão. E a área está anunciando a retomada do consórcio metropolitano que empresas disputantes inviabilizaram com disputas judiciais. Aparenta, pelo menos, definição e não emergência de lixões e aterros sanitários.
Folclore
Ney Braga, governador, vai inaugurar um ginásio de esportes e no meio da quadra pega uma bola, no estilo "lavadeira", e acerta direto o cesto. Quando a fase é boa até o improvável favorece a autoridade. A jogada tinha tudo para ser olhada como editada, tal a precisão do arremesso desengonçado.





