LUIZ GERALDO MAZZA
Aparências sombrias
Segundo o DataCenso, que faz pesquisas para a Associação Comercial do Paraná, a Copa deixou a economia da Capital igual maracujá de gaveta, tudo ficou travado com tanta folga, o feriado induzido: enquanto em maio, com Dia das Mães e tudo o mais, houve um acréscimo de 2% nas vendas e em junho tivemos uma queda nada inferior a 14%.
Como as finanças públicas estão estouradas, como se sabe, ao ponto de Beto Richa proibir licitações nas sete universidades estaduais e determinar máxima economia (em que pese o pacote com 12 casos de aumentos, dentre eles o mais escabroso e comentado auxílio-moradia de magistrados e promotores, assunto subjudice no CNJ e sujeito à revisão) só falta agora o setor terciário, o de serviços, alegando a causa maior da recessão evidenciada na Copa, não estar em condições de pagar impostos, tanto os acumulados em Dívida Ativa como os de agora. Aí se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Pesquisa sempre reclama outra de contra-prova: essa história dos 14% de queda nas vendas pode até ser centrada em metodologia, mas dá a impressão de que ela não oculta uma carga de mau humor, daqueles militantes. Mas há também pesquisa edulcorada como as oficiais do município que dizem o contrário sobre os efeitos turísticos da Copa. Convenhamos que 90 mil turistas estrangeiros não é lá um número tão representativo diante das expectativas semeadas no oba oba promovido pelo então presidente Lula e os acólitos regionais.
Em passado distante a Associação Comercial, pelo seu então presidente Oscar Schrappe Sobrinho, por estar engajado na campanha de Ney Braga e hostilíssimo a Moysés Lupion, pregou abertamente o não pagamento de impostos, sob o claro fundamento de que a corrupção oficial impunha o ato de resistência civil. Foi, inclusive, ameaçado de enquadramento na Lei de Segurança Nacional. O apelo ao absenteísmo fiscal não operou, mas se deu na linha de um movimento igual na França capitaneado por um deputado Poujad que teria dado origem ao poujadismo, a omissão no pagamento de tributos.
Como aqui há outro tipo de puxação, mais eloquente e comum, as ameaças ficaram parecendo coisa puramente psicológica como quase sempre.
Mensalão
Pois não é que os diligentes procuradores da República detectaram as pegadas dos doleiros, dentre eles o Youssef, numa conexão do mensalão? Matéria forte e documental, já instituída em ação, mostra o quanto se aprofunda no sistema esse tipo de mediação com lavagem de dinheiro e tudo mais. Não é um mensalão dois, mas a continuidade do macro-chuncho. Como os casos da operação Lava Jato em relação à Petrobras tudo terá seu impacto eleitoral.
Liquidação
Liquidação de artigos de inverno é tão comum agora como as feiras de imóveis e de automóveis e não justificam radicalismos pessimistas. Umas e outras são formas de ajustes a quedas no mercado. Taxistas (mais os novos) não foram bem de Copa, da mesma forma que restaurantes e estes se queixam da Lei Seca. Já bistrôs e petiscarias, bares, se deram razoavelmente.
Preços
Um dos destaques da pesquisa DataFolha é a queixa do turista sobre o preço de estadas em hotéis. Apesar de se atribuir a empresários da área uma elite eles agem como rústicos comerciantes em temporada de praia. Há ainda o perfil do turista do tipo mochileiro, muito comum, e também do farofeiro, como é o lado mais juvenil do argentino se deliciando em acampamento e em restaurantes populares de R$ 1 no Rio de Janeiro.
Folclore
Pela frequência das intervenções, o setor mais competitivo da campanha eleitoral, como se está vendo pelos pronunciamentos do TRE, será o do tapetão.





