LUIZ GERALDO MAZZA
Dívida arqueológica
Uma dívida arqueológica, hoje montando em R$ 1,5 bi, do Estado à Copel, está para ser parcelada em 244 vezes e é objeto de uma reestruturação junto a um empréstimo internacional. Ela se origina de um acerto entre concessionárias e governos pelo acúmulo de tarifas deprimidas em 1993, num acerto global, decisão nacional na gestão de Roberto Requião.
Pelo jeito a pedra no caminho, não aquela poética de Drummond, de Beto Richa é mesmo o senador, não só por haver derrotado os adesistas no PMDB. Tanto é que lhe atribui as dificuldades financeiras, esse clima de quebra que tenta dissimular, que aliás não soube denunciar no tempo certo pelas artes do secretário da Casa Civil, Durval Amaral, hoje conselheiro do TC.
Pois como esse empréstimo para reestruturação de dívida passa pelo crivo da Secretaria do Tesouro Nacional, uma vez que a União é avalista, há pareceres técnicos contrários à proposta, o que vai aumentar o chororô do governo estadual e consequentemente o seu "marketing" - chave da campanha. O fato é que órgãos estamentais como a STN ou a Receita Federal não estão nem aí com jogadas políticas. É o que se dá também com a Advocacia Geral da União ao acionar o STF contra o governo paranaense por litigância de má-fé. Isso para o leigo pode significar muito pouco, mas não para o universo jurídico, pela conotação de perversidade, malícia e desonra. O ministro Marco Aurélio já havia detectado um sinal de jogo político nas controvérsias paranaenses ao referir-se pela terceira vez à pendência amarradíssima e com aquele operístico pedido de prisão por desobediência.
Como os dois são candidatos, a obrigação primeira de ambos é defender-se de tão pesada acusação, já que Beto atribui a Requião o peso maior da situação sem desprezo do que chama também de má vontade e perseguição da União feita pela senadora Gleisi Hoffmann. Assim os três principais postulantes teriam que apresentar suas defesas e não teríamos uma versão dominante, embora o maior tempo de rádio e televisão da coligação encabeçada pelo PSDB.
Mais bomba
Tem-se como certo que o pacote de reajustes a funcionários (juízes com ajuda moradia, professores com hora-atividade, servidores da saúde, polícia, guardas de presídio, bombeiros) pelo fato de mexer com uma dúzia de situações, isso sem falar nas promoções verticais e horizontais de rotina, restabelece as condições para novamente se ultrapassar o limite prudencial da LRF, recriando novos capítulos da novela dos empréstimos. Uma hora não haverá mais espaço para bravatas no rigor desse aperto necessário para reeducar gastadores.
Dívida Ativa
Um dos pontos relevantes do relatório de Ivan Bonilha é o do pouco empenho do governo para reduzir a Dívida Ativa que foi alvo em tempos recentes de um peculato (articulação com Fazenda, Banestado) em que o empresário pagava os 100% e recebia nada menos de 60% de retorno. Era o clube dos 60%. Houve prisões, constrangimentos que atingiram a então principal rede de supermercados do Paraná, embora não se tenha notícia das consequências em procedimentos criminais. Recentemente antes de assumir a pasta fazendária, Jozélia Nogueira tocou nesse ponto nevrálgico, já que o seu total imobiliza o governo financeiramente, uma vez que é quase a metade do orçamento atual. Originária da Procuradoria Fazendária, ela adotava posição militante de uma ação mais eficaz nessa área. Um dos pontos de relação crítica, governo e contribuintes, além dos frigoríficos, é o dos supermercados, um dos focos de evasão de rendas.
Folclore
Em toda eleição tem aparecido um dos candidatos de micro-partidos que opera como "laranja" de um dos principais. Alguns acabam tendo atuação decisiva para tirar votos de um dos polarizadores como se deu na campanha contra o vice de Osmar Dias. Espera-se que eles sejam, se houverem, mais críticos do que cítricos e sob o olhar da Justiça Eleitoral.





