LUIZ GERALDO MAZZA
Simetria discutível
Altamente discutível numa perspectiva democrática e republicana essa simetria intrapoderes no Paraná, reafirmada ontem na aprovação do balanço do governo pelo Tribunal de Contas e isso menos pelo ritual das restrições oferecidas e jamais aprofundadas do que pelo coral a que se referiram alguns conselheiros da suposta perseguição da União. Timbrou esse tom político, como se já não fosse assim a forma de julgar, aliás tradicional, adequada à proximidade das eleições, com pitacos sobre o tema feitos de forma engajadíssima. Um deles de autoria do ex-chefe da Casa Civil Durval Amaral, a quem se atribui a omissão, quando da apreciação do quadro financeiro, de não ter deixado claro que quem quebrou o Paraná foi Requião. Como não soube fazê-lo as alegações tardias de Beto Richa de que seu antecessor foi o culpado soam mal e obrigam-nos à conclusão de que a quebra se deve aos dois e isso é um tema que deveriam encarar na campanha, já que provavelmente Requião não aceita a tal tese persecutória do governo federal, até porque o apoia.
Não bastasse o episódio da eleição do conselheiro Fabio Camargo sob exame ainda tanto do STJ como do CNJ em torno de possível tráfico de influência precedido da Conta Única e, sobretudo, do acesso aos depósitos judiciais, temos presunções nada satisfatórias a esse alinhamento. É verdade que as restrições feitas pelo relatório do conselheiro Ivan Bonilha vão além da intenção doutrinária por indicarem alguns dos sintomas da quebra e que ficam visíveis na incapacidade da gestão de respeitar a regra de que não se pode gastar mais do que se arrecada.
Em cima desse julgamento o governo pródigo enviou um pacote com uma dúzia de mensagens todas implicando em reajustes como a da hora-atividade dos mestres, a do quadro da saúde, a dos guardas de presídio, a de bombeiros e a do auxílio moradia dos juízes e desembargadores, inclusive essa com a pretensão de recepção de atrasados. O governo, por falta notória de recursos, não está pagando as promoções, o que virou rotina entre várias classes funcionais, dentre elas a dos delegados de polícia e quando se propõe a pagá-las espera que a parte interessada vá à fila dos precatórios para habilitar-se aos atrasados.
Esse miserê, visível na fila de credores, na ausência de programas, além da misteriosa relação com as pedagiadas, deve ser tão enfocado na campanha como a tal perseguição da União, reafirmada pelo Tribunal de Contas.
Quebras
Entre as quebras já anunciadas está a da ParanaPrevidência, com cerca de R$ 3 bi, pelo fato de o governo omitir-se sistematicamente de pagar a sua parte junto com a dos servidores. Além disso há a questão, essa levantada por Ivan Bonilha, da não cobrança dos aposentados, regra até hoje desrespeitada e alvo de interpretação confusa no Judiciário. Um aprofundamento em cada uma das ressalvas apontadas mostraria o caos administrativo e a resistência, já pela vez segunda, de maquiar os gastos na saúde mostra, em toda a exuberância, o infrator reincidente, específico e genérico.
Quem prende quem?
Os R$ 817 milhões do Proinveste, já "comidos" pela metade como informa o próprio governo, foram liberados, mas como o governo aumentou as despesas com o pacote de 12 mensagens é possível que o nível prudencial de gastos com o pessoal esteja outra vez comprometido. Resta, enquanto o secretário Luis Eduardo Sebastiani, da Fazenda, vira um equilibrista chinês com a gastança pública, esperar o próximo capítulo da novela em que se brecará, outra vez, nossas verbas e o pessoal daqui ameaçará de prisão o secretário do Tesouro.
Folclore
A discussão entre Copel e Aneel lembra misturador de vozes, aquilo que os mais vivos, quando visados por gravações, fazem para não deixar rastros. O pior é quando se aborda aspectos técnicos da questão, o que para o leigo tem o sentido de uma fuga. Ambos se trumbicaram.





