A Copa e o pleito
A mudança de humor político do brasileiro para melhor levou Dilma a levitar na pesquisa DataFolha com mais quatro pontos, quando tudo indicava queda, e também o apoio à Copa cresceu bem como a taxa de orgulho por seu andamento. O registro comprova a mobilidade dos juízos de valor diante das circunstâncias e dá para perceber que fatores cívicos e anímicos mexem no clima eleitoral.

Isso tudo forma um paredão contra os que protestam e a manter-se (é verdade que tudo depende também do desempenho do escrete hoje com a Colômbia) ou a crescer dá solidez aos fatores que afinal mexeram na curva descendente das sondagens político-eleitorais.

Ao menos quanto à atmosfera criada, incorporando o orgulho nacional e esse é um fator de primeiríssima grandeza, percebe-se que a Copa (mesmo que não seja a "das Copas") tem influência abrangente não apenas em relação à política e à visão que o público tem das instituições como é expressão de ânimo em marcha para o otimismo dos brasileiros. Esse bom humor é vacina contra a estupidez dos que apostam no vandalismo como expressão do inconformismo e os isola mais do que qualquer medida preventiva. Se saírem por aí agora a quebrar o público e o privado serão odiados.

Isso não significa que a bronca do padrão Fifa, referência clara de uma visão distorcida de prioridades, não exista ou esteja recuperada e até compensada. O momento é agora de anestesia, de ópio, como marxistas se referiam à religião.

Ópio em lugar do pio. Pode ser o provisório, mas para quem vive o momento é como aquele verso do Vinicius de Moraes do eterno enquanto dura.

Contra o relógio
A chegada de Lula e Dilma ontem em Curitiba, em dia bom de DataFolha, acabou favorecendo Gleisi Hoffmann que andava acumulando fatores negativos em função das contrariedades com a montagem da chapa. O fato não se limitou à Capital no encontro do PT no Teatro Positivo, já que a candidata acompanhou ministro na autorização de obras do PAC no interior e o da Educação, Henrique Paim, e Gustavo Fruet inauguraram um condomínio do "Minha Casa, Minha Vida" de 480 apartamentos em Santa Cândida. Como se vê uma arregimentação, pois a partir desse fim de semana estarão proibidos esses eventos pela Lei Eleitoral.

Spray
A campanha contra a pichação em Curitiba arregimentou ainda mais os infratores em que pese as prisões. Agora um spray, adquirido no exterior, está sendo usado pela Associação Comercial para apagar os estragos, mas as gangues se sentem estimuladas e voltam a atacar.

Contas
O TC examinou ontem o balanço de 2013 de Beto Richa: com a crise fiscal, visível na escassez de recursos e nos gastos acima da arrecadação, tivemos um relatório com aconselhamentos doutrinários, mas com a evidência dos abusos, já verificados nas contas de 2012 mormente nos gastos com saúde e tecnologia.

Austeridade
Para quem, como o empresário Joel Malucelli, que acha indispensável no Paraná uma lipoaspiração que reduza o governo a menos de dez secretarias dá para ver que com o Beto Richa isso é impossível com sua aliança de 17 partidos.

Folclore
Queriam botar na pauta do Tribunal de Contas o julgamento de Requião-Pessuti pelo incêndio de um armazém da Codapar sem seguro que poderia levá-los à inelegibilidade. Tapetão antes de jogo em plena Copa é de lascar. Mas pelo jeito virão outros como a coleção de cavalos sustentado pelo erário.

Grana
Se o Estado dá o auxílio-moradia a juízes (mais 15%), hora-atividade a professores, quadro especial da saúde, como driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal? Desse jeito quem acaba prendendo o governo de novo é o Arno Augustin.

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