LUIZ GERALDO MAZZA
E o Plano Diretor
Há muito não se fala no Plano Diretor do Centro Cívico de Curitiba, mas ele existe, embora esnobado como se vê agora nessa construção de um anexo do Tribunal de Contas: virou uma Torre de Babel e cada poder, em função de sua autonomia, vai desfigurando o cenário com a maior tranquilidade. Normalmente cheio de alguma sacanagem como se deu em denúncia no anexo do Tribunal de Justiça (além dele há o edifício da Mauá), no incêndio do prédio original da Assembleia Legislativa e também no seu complemento que dobrou de dimensões. O Palácio da Justiça, no projeto original agrupava as secretarias, mas por falta de grana foi contido e passou a ocupar o TJ. Andaram mexendo, com propósitos de reforma, tanto na edificação com retirada de paredes, que está a exigir obra inteiramente nova de cima abaixo.
O Palácio Iguaçu foi reformado, enquanto o Fórum Cível, Palácio das Araucárias, se transfigurou em sede do Executivo por algum tempo e agora está lá devidamente ocupado: no governo Requião, o primeiro, o Decom, dirigido por Luis Henrique Bonaturra, entrou em conflito com a empreiteira Cotelli que durou mais de uma década e com as obras suspensas. Posteriormente, como se cortassem um bolo de noiva, em razão de segurança, centrada em perícia, tiraram dois andares da construção.
O Tribunal de Contas teve um anexo que nada tem a ver com o estilo leve e funcional da unidade original. Aliás de um modo geral todas as mexidas nada têm a ver com maquetes e pranchas da primeira construção do gênero e que deu margem aos construtores de Brasília que viessem até aqui contemplá-la.
Se continuar como está dentro em pouco um acampamento híbrido de barracas de praia de professores e tendas de plástico dos sem terra, como se deu na gestão José Richa, acabe definindo o melhor estilo daquele condomínio, já que ninguém mais se preocupou em falar nas diretrizes do Plano Diretor do Centro Cívico, se é que algum dia existiu.
Violência
Saiu ontem o novo mapa brasileiro da violência que parece crescer mais do que a nossa prosperidade: 55% de alta entre 2002 e 2012 com taxa de 32 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Houve esforço nos últimos quatro anos com o aumento do efetivo das polícias civil e militar, criação das Unidades Paraná Seguro, mas tudo, enfim, band-aid onde se reclama cirurgia.
Metrô
Sai hoje o decantado edital do metrô: a denúncia de que a Prefeitura da Capital é leiga no assunto feita pelos dirigentes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, CREA, e Conselho de Arquitetura e Urbanismo, CAU, e até agora não respondida, a despeito de sua gravidade. Não há convicção técnica que justifique o metrô ao menos no itinerário estabelecido, mas o receio de perder o que vai ser dado a fundo perdido, mesmo que não passe de 20% dos custos finais, é que mobiliza a burocracia em jogada política e em outros interesses que gravitam em torno do assunto. Afinal o da Bahia levou dez anos e saiu capenga. Por que não repetir a dose por aqui?
Mordida
Um perseguido da polícia imitou o uruguaio Suarez e mordeu a mão do secreta.
Quando se fala em mordida no jargão policial o efeito moral é mais grave do que o físico. A expressão secreta era nos anos 50 atribuída a investigador ou a qualquer agente, dava uma conotação de inteligência, segredo.
Folclore
Outra vez o Paraná pede a prisão do Secretário do Tesouro Nacional, agora porque a grana do Proinvest está brecada no Banco do Brasil, embora tenha sido liberada pelo BNDES. Pode ser que não prendamos ninguém e que o dinheiro não saia, mas teremos um fato político: prendemos a atenção tal qual no episódio safadíssimo da tarifa da Copel. A novidade que tivemos é que o Paraná suga uma das maiores taxas do ICMS em cima da energia: 29%.





