Vice na 25ª hora
Antes de tudo o que se observou nessa procura insana por aspirantes a vice- governador foi uma prova de pobreza de quadros: falta de brilho suficiente no cabeça de chapa e de gente qualificada para acompanhá-lo e ajustar interesses da coligação. O fato é que tivemos um dia hithcokeano no preenchimento das vagas para senado e vice principalmente nas chapas mais fortes, ao menos até o momento, as dos polarizadores da eleição, PSDB e PT.

Se não houve contestação quanto ao cabeça de chapa já as formulações complementares geraram divisionismos e descontentamentos como a do Ricardo Gomyde, PCdoB, como postulante ao Senado pelo PT, com sacrifício do Rosinha, numa opção parecida à feita no PMDB por Marcelo Almeida, ambos do mesmo perfil de classe social.

Das escolhas feitas, a de Roberto Requião pela deputada Rosane Ferreira, bota um pouco de doçura no fel dominante do tri-governador, mas tem a deficiência geopolítica de cingir-se à região metropolitana, preocupação maior das montagens históricas que são feitas em cima da vaga buscando a diversificação regional. Com seu tom imperial, Requião tentou fazer cobranças como se Ricardo Gomyde fosse um seu servidor e não membro de um partido que há tempos fez uma opção nacional pelo lulismo e que por isso mesmo integra o seu ministério há tempo.

Tentativas maliciosas de forçar a montagem da chapa fizeram parte da cena da vice do PSDB, o mais prejudicado com as convenções primeiramente com a perda da tese da coligação no PMDB e posteriormente com a indisposição de Ratinho de ser o vice de Beto Richa e que afundaria seu projeto pessoal pela segunda vez, a primeira na eleição municipal de Curitiba na qual fazia o papel de Sassá Mutema, o salvador da pátria do governador.

Com a escolha de Cida Borghetti para vice compensam as perdas, parcialmente,
garantem a saída de Silvio Barros e asseguram com isso a presença de Ricardo no processo e sua força no norte-noroeste. Cida é uma articuladora de calibre, uma das responsáveis pela vitória de Renata, filha de Rubens Bueno, no parlamento italiano, prova de sua locução com a colônia italiana.

Mais que vice
No caso de Gleisi Hoffmann pesa mais a presença de Gustavo Fruet, prefeito de Curitiba, na campanha do que o ajuste da vice e do senado porque hoje ninguém o supera em Curitiba e Região Metropolitana, tanto nas pesquisas atuais como nas da eleição a prefeito (deu de 10 a 3 em Ratinho) e para o Senado quando mostrou força também em outras regiões. As tentativas dos marqueteiros do PSDB de incompatibilizá-lo com o PT por causa do papel nobre exercido na questão dos mensaleiros se frustraram até pela constatação de que, afora Alvaro Dias, ninguém do PSDB regional teve qualquer presença naquele episódio, em que além do Procurador Geral da República, com raízes de carreira na terra, houve a participação decisiva como relator na CPI de Omar Serraglio e a veemência de Fruet na tribuna.

Enquanto o PT em São Paulo tem o seu prefeito, Fernando Haddad, uma peça estratégica da luta para tirar o PSDB do espaço, com apenas 17% de apoio na população, a força de Fruet é inquestionável.

Senado
Aquilo que parecia uma barbada se mostra sob risco: a vitória fácil de Alvaro Dias no Senado. Marcelo Almeida, nunca testado em majoritárias, se a suposta contradição em chapa com Requião por causa do pedágio não o afetar poderá surpreender, entre outras coisas por sua atuação no mecenato cultural.

Folclore
A Copel agora quer sugerir, em anúncio, que ela não pediu e sim a Aneel que concedeu a alta de tarifas. Governo e estatal nos tratam como idiotas. Eles nos atacam com volts, ataquemo-los com votos antes que nos eletrocutem.

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