" Se havia exagero evidente no apelo "não vai ter Copa", pode-se afirmar com segurança e com precisão que "jamais tivemos República "



Rituais, sempre eles
A emergência de uma greve que bloqueia o direito de ir e vir de mais de 2 milhões de pessoas pelo jeito tem uma santidade tal que torna inúteis decisões fortes da Justiça como se deu ontem na Capital: a ordem para que os ônibus (100% da frota) voltassem a circular e que 50% dos cobradores retornassem aos seus postos, sob ameaça de multa diária de R$ 30 mil para cada lado, foi emitida às 11 horas da manhã, o que não impediu que só por volta das três da tarde os primeiros veículos começassem a circular em operação tartaruga e, lá pelas 15h30, de 838 ônibus do horário circulavam apenas 98. É o ritmo dos rituais judiciais: a sentença contra Antonio Belinati prolatada 14 anos depois é a normalidade e não o atípico e o processo do mensalão tão destacado levou mais de cinco anos para chegar ao fim e deixou ainda sequelas como as decorrentes da aceitação dos embargos infringentes e se arrasta em decisões administrativas sobre o regime dos presidiários se podem ou não trabalhar.
Dá para imaginar se houvesse isonomia de tratamento entre os presidiários da Papuda, condenados do mensalão, e os demais do varejo da criminalidade teríamos uma novela por dia para satisfazer nossa compulsão melodramática. Só aqui de Curitiba temos dois casos insolúveis, um com mais de cinco anos, da menina Rachel Genofre, cujo corpo retalhado foi encontrado em mala na Rodoferroviária, e o da Tainá, mais recente, de Colombo, há um ano sem solução, e que faz da nossa autoridade em segurança uma verdadeira Loucademia de polícia pelas cenas de filme pastelão, com o emprego da tortura para obter confissão, que fez desse tema acessório mais relevante que o principal, a apuração da autoria.
Isso não é um legado da Copa, mas de algo muito mais forte: a desagregação institucional histórica que garante a impunidade e contra a qual não se ouvirá uma só proposta articulada de qualquer dos postulantes presidenciais, estaduais e parlamentares na campanha que se seguirá à monotonia do futebol.
Se havia exagero evidente no apelo "não vai ter Copa", pode-se afirmar com segurança e com precisão que "jamais tivemos República", e isso o comprovamos diariamente. E esses fatos referidos o ratificam.

Maioria
Diagrama da greve: 3 mil cobradores contra mais de
2 milhões de pessoas. Como é que uma equação dessas (minorias que no caso não brigavam por cláusula econômica já acertada e que trouxeram, em nome das más condições de trabalho, até a imposição de um novo lay-out para estação-tubo com privadinha ou urinol, um casuísmo genérico e aterrador que tornaria o debate mais longo do que uma conferência de paz na ONU) não encontra na justiça uma saída rápida em acordo com a urgência da crise?
Medidas aparentemente fortes como o "imediato retorno ao trabalho" e mais multas elevadas não são levadas a sério pelos grevistas e tudo fica na mesma, isso sem falar no absurdo de admitir nas demandas dissidências sindicais que fazem dessas exibições manobras para suas eleições corporativas. É a marcha acelerada para a anomia, o vale-tudo que nada tem de revolucionário.

Doutrina
Há muito, desde a entrada do PMDB-PSDB no governo, que não temos doutrina. A última delas foi na gestão José Richa com dois debates que se complementavam: o da tecnologia apropriada (que não desprezava a alternativa) e também o da pequena escala. Lembro do pavimento subdimensionado com Canet Júnior, posto de remonta de animais no vale do rio da Várzea, calçamento com pedras irregulares e quebra da rigidez de normas da Copel.

Mais provas
A Polícia Federal coligiu mais provas das operações
do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em dobradinha com o doleiro Youssef: abriu nada menos de 23 inquéritos novos, desdobramentos da Lava Jato.

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