LUIZ GERALDO MAZZA
Beto perplexo
Que o governador Beto Richa ficasse surpreso e até perplexo com a derrota do seu grupo na convenção do PMDB se poderia aceitar menos que o fizesse ante o pedido de aumento da energia agora aceito pela Aneel e que vai ampliar a crise do setor industrial em quadro pré-recessivo. Na condição de governador, e mais do que isso, sócio majoritário da Copel, tinha plena ciência do pleito que agora dissimula desconhecer, como se nós, do público, assistíssemos tudo isso com o indispensável narizinho de palhaço.
Em clima de Copa, cartão amarelo; pelo desprezo ao eleitor, cartão vermelho na grossura da jogada que tenta transformar em sutileza. Coisa de casca grossa e não ajustável à persona de príncipe que ostenta.
Segurança
Volta e meia, como se deu na construção da Arena da Baixada em diligência do Ministério do Trabalho, estamos às voltas com o problema de higiene e segurança em obras públicas e privadas. Ontem mais uma baixa de operário que trabalhava no Shopping Crystal e acabou falecendo. Mais fiscalização, sem abandonar a doutrina das campanhas educativas.
Chantagem
Segundo os cínicos, chantagem bem intencionada e com função social é mais do que necessária, uma chantagem santa, logo uma santagem. Mais ou menos o que fazem os sindicalistas usando a Copa do Mundo como fator para jogar o patronato na parede como se viu com os metroviários em São Paulo e aqui com cobradores e motoristas, tema de encontro de ontem na justiça do trabalho.
Aqui só falta criar uma dissidência, como tem ocorrido em outras unidades, para legitimar novos reajustes. E como há eleição sindical resta ao grupo dominante mostrar que é capaz, principalmente quando, como agora, há cisão no cartel e algumas empresas não cumprem acordos.
Não há mais aquele traço pactual e consolidado que assegurava as relações monolíticas do sistema entre poder concedente e permissionários, tanto que o vereador da categoria (e não há um só, como sabeis) Rogério Campos sugere que tudo funcione com as catracas livres. Empresários já avisaram que vão ao Judiciário para cobrar perdas e danos. A população é refém do terrorismo.
Sciarra
Se o vice de Beto Richa for do PSD, o preferencial é Eduardo Sciarra. Ney Leprevost confirmou-o como nome de consenso. Mas tudo está vago e Ratinho Júnior, por seu poder agregador, mas sacrificando a bancada do PSC na condição de puxador de votos, seria o salvacionista da reeleição, o que não aconteceu em Curitiba no pleito municipal. Ali também era tido como salvador do grupo.
Parcelar
Beto Richa aprofundou o gesto infantil no caso das tarifas da Copel ao indicar que enviará uma carta ao Conselho da Copel para parcelá-las. É como se fosse possível parcelar o ônus das cheias recentes. Parcelar enfim a procela, o dilúvio e suas consequências. Quis faturar o PMDB e se deu mal, agora quer faturar até o seu erro. Já parcelou o débito superior a um bilhão que tem com a Copel. Tomara que parcelem seus votos como lição pedagógica, o que já teria ocorrido na convenção do PMDB.
Fair play
Já se desenha o cenário eleitoral: no primeiro turno "fair play" com Gleisi e tacape no líder das pesquisas por parte de Requião, a reprodução do que fez com José Richa na sua primeira eleição.
Folclore
Muitos se queixam dos exageros do politicamente correto. Mas por vezes é necessário e cito um caso pessoal: houve um encontro no Palácio Iguaçu entre o governador Guataçara Borba Carneiro e o deputado federal Hermes Macedo e que tinham em comum um defeito nos olhos e me referi ao fato dizendo que não se sabia do que trataram, mas que tinham trocado olhares significativos. Gracinha com defeito físico é imperdoável.





