LUIZ GERALDO MAZZA
O fato novo
O fato novo não é a quinta disputa de Requião ao governo. Pelo amadorismo do cavalo de Troia que os adesistas ao situacionismo armaram no PMDB não tivemos sequer uma disputa difícil quanto mais a "barbada" que prometiam. O fato realmente novo, numa perspectiva republicana, é a ação do Ministério Público, via Gaeco, na construção de mais um anexo do Tribunal de Contas. Quase se deu tal quando houve suspeitas de anomalias em edificação do Tribunal de Justiça, mas tudo, como sempre, ficou amarrado a meio caminho.
Normalmente há o império da cordialidade, nem sempre virtuosa, nessas relações intrapoderes, tanto que apenas órgãos externos se ocupam de apurar eventuais desvios aos cuidados do MP, Polícia e Justiça Federais ou Tribunal de Contas da União. E isso tanto é verdade que houve pasmo na praça quando o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça passaram a investigar se houve ou não tráfico de influência na eleição de Fabio Camargo como conselheiro do TC já que se presumia um clima de manipulação com a criação do Caixa Único e mais do que isso o acesso aos depósitos judiciais e isso sem falar nos fatores que levaram ao afastamento de Clayton Camargo da presidência do TJ.
Como se vê só forças externas mostram que aqui se confunde a trama local como aspiração do conjunto e não de uma fração da sociedade e expressa no poder constitucionalmente constituído. O que deveria ser rotina é aqui atípico, transgressor da solidariedade interna e daí a perplexidade dos atores que veem nisso tudo a expressão do insólito e do incabível com essa diligência do Gaeco em cima de tumultuária concorrência no Tribunal de Contas.
Quem traiu
Na véspera da convenção os deputados governistas do PMDB teriam encontro com seus delegados e na presença do governador, segundo uma das versões correntes.
Dessa forma o comprometimento estaria selado sem qualquer risco de acidente. O fato é que o Judas da operação vai ser um santo, quase um deus para o outro lado. Se de fato essa "verificação" final com a presença de Beto Richa se deu o vexame envolve o próprio interessado.
Para Requião todos os integrantes da falange eram traidores, mesmo aqueles que continuam pretextando ser seu amigo, como Alexandre Curi.
Quem foi ajudado
Se é difícil apontar quem traiu, é fácil perceber quem levou a melhor com a candidatura Requião e essa é a candidata Gleisi Hoffmann, que numa eleição polarizada e plebiscitária seria eliminada por Beto Richa. Agora respira e pode mobilizar seu aparato ao menos para chegar ao segundo turno. Obviamente o competidor mais forte ainda é Beto Richa e nas suas hostes estão presentes as figuras fortes e também as medíocres do lernerismo. Beto deve ser o alvo mais forte, preferencial, de Requião, o que pode gerar um debate curioso para ver qual deles mais contribuiu para a crise financeira atual e isso livraria, ao menos em parte, o ônus da perseguição do governo federal. Nela virão pequenas estocadas em torno do assessor pedófilo e das tramas do Vargas com o doleiro Youssef, já que Requião não tem interesse em agredir o PT que sempre foi seu aliado em várias gestões e agora mais ainda como defensor de Dilma.
Londrina
Justamente na cidade mais participativa do Paraná, responsável pela queda de quatro prefeitos e afastamento de vereadores e gestores públicos, não há um canal moderno para ouvir a população. Uma contradição em termos, agora preocupando a população londrinense quanto à criação da sua Ouvidoria.
Folclore
Adeptos de Beto Richa no PMDB cada hora tem o nome de um parlamentar como traidor da causa e de a ter levado à derrota na convenção. Nem parece aquele grupo fechado, fraterno, da quinta-feira passada. Como todos foram, de uma forma ou de outra, serviçais do Requião a suspeita se torna elástica. E, de repente, dá para concluir que a traição poderia ser bem maior.





