LUIZ GERALDO MAZZA
Quem diria?
Quem diria Ava Gardner no Tatuquara. Algo assim se deu ontem na convenção do PMDB: os adesistas de Beto Richa tinham tanta convicção de que ganhariam que nem tiveram olhos para a Copa do Mundo com os exemplos da Costa Rica diante do Uruguai e da Itália. É que eles estavam mais de olho na costa do Richa do que na Costa Rica para conduzi-los à salvação dos precários mandatos.
Toda a soberba precisa ser derrotada e com isso deram uma dimensão mágica de herói de história em quadrinhos para o senador Roberto Requião, o que será mais do que explorado na hora do pega.
E quem é o autor desse retorno senão o governador Beto Richa? Se não comete o erro na campanha senatorial de conferir mais valor a Ricardo Barros do que ao mais cotado dos tucanos, no caso Gustavo Fruet, derrotado por Requião e por mínima diferença de votos, aplainaria caminhos. Se age com racionalidade tiraria Requião do mapa eleitoral e, outra coisa, não perderia a eleição municipal, pois Fruet eleito deixaria a vaga para Luciano Ducci e o sistema. Esperava levar tudo no primeiro turno e como essa hipótese está afastada com o papelão dos adesistas vai ter que suportar as durezas de uma campanha que atingirá certamente até a sua intimidade porque esse é o estilo da turba, o mesmo que detonou seu pai, José, quando também era o candidato com mais chance de levar o pleito como ainda se dá com ele nesse momento. E vai pegar pela frente aquele que cresce sempre na adversidade, real ou aparente.
Gaeco no TC
Excluído o caso da super-draga chinesa na gestão Requião, o Tribunal de Contas tem passado ao largo de suspeita em operações externas, da polícia e da justiça federal. A de agora, que investiga fraude em concorrência e que já encanou seis pessoas, entre elas um coordenador geral da instituição, é uma operação do Gaeco, braço direito do Ministério Público estadual. Isso muda a cultura local que sempre foi de harmonia intrapoderes como se vê no caso em apuração no Conselho Nacional de Justiça se houve ou não comprometimento dos três poderes na designação de Fabio Camargo para conselheiro do TC, precedida do acerto do Caixa Único e acesso aos depósitos judiciais.
Eleição salva
Pelo menos se pode concordar que a vitória de Requião na convenção salvou o pleito, apesar de todos os inconvenientes, da chatice e do tédio. Com ele na disputa há um respiro para Gleisi Hoffmann já que assestará todas as baterias em Beto Richa e nas falhas do seu governo e há garantia de segundo turno.
Vão tentar reprisar a primeira eleição de Requião excluindo da disputa o que está com maior taxa de credibilidade e se a Gleisi sobreviver já sabe que as referências a André Vargas e ao pedófilo Gaievski serão inevitáveis como já vem acontecendo. Se o sobrevivente for Beto Richa os golpes virão abaixo da cintura e será muito difícil manter-se como bom sujeito.
Furo
Raramente se admite furo da imprensa regional: esta FOLHA deu, isso em primeiríssima mão, por artes da Catarina Scortecci, a investigação do MP federal em cima de supostas ações de superfaturamento nas obras da Refinaria da Petrobras em Araucária (*). Os doces olhos de Capitu da nossa repórter viram com um mês de antecedência tudo isso que se divulga agora.
Grosseria
Para quem se irritou com a baixaria das agressões à presidente Dilma teve um prato cheio na convenção do PMDB no Paraná, onde ficou demonstrado que o ulular da plebe pode se dar tanto num estádio como numa decisão partidária. Um e outro lado mandaram o adversário tomar caju como se fosse um Atletiba.
Folclore
"Pessuti era e sempre foi um quase nada na política paranaense; agora é nada". Saque mortal do jornalista Cícero Catani no seu blog.
(*) "Youssef pode ter atuado em refinaria do Paraná" (29/04), de Catarina Scortecci e Silvana Leão.





