Mais arrocho
Apesar de o governo federal estar anunciando um pacote de estímulos ao setor industrial, ele se mostrou em queda pelo sétimo mês, conforme levantamento da Confederação Nacional da Indústria. A propósito disso o governo estadual costuma "pinçar" dados médios em que superamos a média nacional para sugerir mérito seu nesse segmento. Pois bem: foi adiado novamente o anúncio da alta da tarifa de energia pela Aneel, mas ele virá e com um forte impacto negativo nos custos de um insumo básico.
Certamente o poder público não se referirá a esse dado da planilha na hora de gargantear feitos que não são seus e esquecendo que empurra para o setor o ônus do badalado salário mínimo regional mais elevado do país...

Esforço inútil
Até agora apenas o fato de haver transformado duas secretarias em uma significou algo na direção da austeridade, algo inimaginável aos nossos padrões culturais em tempo de eleição. Com a montagem eleitoral que está fazendo para garantir a reeleição não há a menor esperança de que Beto Richa desperte para a questão, aqui tantas vezes enfocada, da recuperação do modelo de gestão financeira que sempre nos protegeu até parte do governo Lerner, o de Requião e o atual.
A determinação de dois secretários, da Fazenda e da Administração, preocupados com o retorno da eficiência no sentido de renegociar todos os contratos é algo mínimo e mais adequado para começo e não fim de governo, embora a certeza de que a eleição está no papo. Indispensável uma operação séria que afinal tem um mérito: o de mostrar que temos secretarias demais e que respondem pela eficiência de menos com a metástase burocrática gerada.
Foi detectado em decreto de março déficit orçamentário em despesas de pessoal e encargos sociais, Auxílio Transporte e Contratos de Caráter Continuado.
Dificilmente esses atos darão as respostas necessárias e é inimaginável esperar que Beto Richa reeleito faça a lipoaspiração na máquina por que um dos principais argumentos dos adesistas do PMDB é o de que disporão de secretarias no futuro governo que já exploram.

Isolamento final
Com a adesão de Orlando Pessuti à aliança com o PSDB, o isolamento do senador Roberto Requião está consolidado e a percepção da derrota levou a minoria do PMDB chiar, ontem, com alguma veemência na Assembleia, o que funcionou como antevisão do que será a convenção de amanhã. Espera-se um discurso ciclópico de Requião que será insuficiente para virar o jogo, mas poderá, como documento histórico, ter a força de uma carta testamento. O recurso de usar vídeos em que os adversários de agora o elogiavam não tem o talento de criações anteriores como a exploração das certidões contra a aposentadoria de José Richa e a empulhação do Ferreirinha. Ambas feitas pelos que estão no outro lado, artistas da armação. Um dos que teve papel saliente na operação do falso pistoleiro é tão distanciado de Requião que fez aquela denúncia dos cavalos sustentados pelo poder público.
Se Requião tem alguma carta, que não seja a testamentária para virar o jogo, ela deve estar muito bem escondida. Mais que o tesouro do pirata Zulmiro.

Crise
A crise financeira é de tal ordem que Beto Richa prefere o ônus eleitoral do que respaldar com R$ 3 milhões os Jogos da Juventude em Londrina.

Folclore
Quando o fiel da balança da convenção do PMDB tem o peso de Orlando Pessuti para desbancar outro atleta do sumô como Requião percebe-se o desequilíbrio.

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