Vandalismo, prioridade?
Acostumamo-nos tanto com a violência do cotidiano que parecemos dar um mínimo de importância ao vandalismo em suas várias formas de pichação de edifícios, destruição de orelhões e placas de sinalização. Embora atuações sistêmicas, que tentam reproduzir aqui experiências, centradas na doutrina da ação direta, nada tenham a ver com essas formas rotineiras de agressões, até porque têm um conteúdo supostamente revolucionário e contagioso, percebe-se que as autoridades, até em respeito ao calendário eleitoral e por não quererem passar por repressores, hesitam e se mostram perplexas na dosagem da dissuasão.

Tanto uma como outra forma de vandalismo implicam em infração e exigem o enquadramento dos infratores como função defensiva do aparato público. Formas de punição, como a adotada contra os pichadores, estimula a reincidência já que os atos praticados se ajustam no suposto, e aceito como tal, pequeno potencial de delinquência. Diante desses fatos a doutrina vitoriosa em Nova York da "tolerância zero" é relembrada, posto que aqui não tenhamos uma ação que chegue ao Judiciário e à punição para homicídios, sequestros, estupros e delitos de trânsito quanto mais para as de pequeno potencial.

Temos uma cultura que é tolerante com a tortura diária em delegacias, mas que enxerga a outra, a de natureza ideológica e política, com mais brilho e charme, como se concede aos vândalos com suposta aura revolucionária um tipo de militante merecedor de tantas considerações. Essa "politização" explica a incapacidade da polícia em fazer o dever de casa no trabalho dissuasório.

Combater o vandalismo pode não ser uma prioridade até o dia em que a ação direta reproduza aqui algo como as "brigadas vermelhas" da Itália e que passe a desafiar toda a estrutura do Estado na medida em que o "o ovo da serpente" continuar sendo chocado por nossa tolerância em ver nesses desatinos inconsequências de faixa etária e até idealismo ainda que notoriamente anárquico.

Sindicais
A qualquer incidente relacional categorias sindicais ameaçam greve como se dá neste momento, apesar das ocorrências recentes, com os motoristas e cobradores do transporte coletivo, e está na iminência de se dar com portuários que pedem, imaginem o desplante, 30% de reajuste num simulacro de terminal, marcado pelas deficiências e corrupções como a das indenizações trabalhistas.

Para um governo como o nosso que em processo pré-recessivo industrial pede a Aneel um aumento superior a 30% nas tarifas, ignorando o peso desse insumo no custo operacional do parque produtivo, de tudo se pode esperar. É um gerador permanente de maus exemplos.

Quase profecia
Um pouco antes da entronização da internet, um militante social de Londrina e ex-vereador Tadeu Felismino se preocupava seriamente com as ameaças que pesavam sobre a economia da cidade. Em função de atuações no jornalismo e no magistério cogitava de mobilizações em torno de estudos sistemáticos sobre o município como gerador de renda e cultura. Portanto desde os anos 70 e 80 houve quem estivesse engajado nas preocupações de hoje e aquele tempo havia ainda o estímulo do Conselho de Desenvolvimento Municipal, Codem, criado pela Codepar-Badep e com atuação capilar em todo o Paraná em planos diretores e definição de vocações regionais. Essas rotinas desapareceram do Paraná. O governo virou leigo no assunto.

Folclore
Feministas foram na Câmara Municipal de Curitiba e com razão chiar contra o projeto do vereador Rogério Campos que cria o panterão, ônibus só para mulheres. Na pressão decidiu transferir o exame da matéria e aprendeu a semelhança semântica entre ônibus (do latim omnibus para todos) e o forró que tem significado bastante aproximado sem distinção de gênero.

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