Efabulação relevante
Atribuiu-se à intervenção de um pai que foi chamar a atenção do filho, menor, que integrava uma legião "Black Bloc", em São Paulo, um registro meramente bizarro, quando retoma o papel mediador das famílias hoje com expressão cada vez mais reduzida na ação social. Já não se concede à família, em função das modernidades, o espaço que ocupava na formação dos filhos. E certamente o menino censurado, ainda que com 14 anos, deve ter o pai como um "careta" por essa indevida ingerência no seu exercício de liberdade e protesto.

Quando se examina qualquer questão social a impressão que se tem é que a tal "célula mater" da sociedade já não exerce função formadora, embora haja para supri-la, nos casos mais graves de desvios de conduta, os chamados conselhos tutelares, uma espécie de regra três para suprir a omissão ou a inexistência dos pais. Da mesma forma quando se processa um atendimento ou se legisla dá a impressão que esse ente intermediário tirou o time de campo.

O episódio da intervenção do pai, como provedor, em cima do menor "Black Bloc", tem um tom de quixotesco, mas uma força inegável como alertamento e busca de retomada de um caminho ainda de todo não perdido: a mediação familiar como um exercício necessário na formação do cidadão como ministradora do sentido ético e de caráter no grupo social mais próximo, fonte civilizatória de todo o ordenamento humano.

Atração do negativo
Cumpre a melhor das missões esta FOLHA quando destaca o fato excepcional das quedas de Londrina em indicadores sociais e econômicos. Como se houvesse um charme sedutor nesse tipo de informe, ele é constantemente visado como um alertamento. Quando a cidade perdeu para Joinville, SC, a condição de terceira mais populosa do sul do Brasil houve uma espécie de trauma. Ao se processar o confronto entre o papel exercido por Londrina no estágio um tanto quanto remoto da cafeicultura como centro irradiador percebe-se que Joinville está para Santa Catarina hoje como a Capital do Café era para o Paraná naquele instante histórico.

Joinville é o maior PIB catarinense e o segundo não é Florianópolis, a Capital, mas Itajaí, complexo portuário com tendência a superar a malha existente em nosso Estado.

Ao perder posições no ranking, o que destacou anteontem em reportagem-ensaio de Nelson Bortolin ao confrontar os índices da Fundação Getúlio Vargas, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal da ONU, trouxe variáveis mais ricas para a reflexão, tomada de consciência e arranque para a retomada dos espaços perdidos. Pede-se uma ação urgente como a intentada pelo jornal junto à sociedade organizada em seminário recente que enfocou causas do problema, diagnóstico de anomalias e propostas para uma alavancagem que una setores produtivos e governamentais.

E o governador?
Londrina, já pela quarta vez, tem gente da casa administrando o Paraná: o primeiro, na redemocratização parcial do país, José Richa, uma das figuras nacionais que tivemos ao lado de Ney Braga e Munhoz da Rocha; testado como administrador e político já na prefeitura da cidade; depois tivemos Hosken de Novaes como teríamos também Alvaro Dias e agora finalmente Beto Richa que antes foi prefeito reeleito de Curitiba. Londrina, visitada na semana passada por Requião, tem chance de reeleger o governador, ainda que tenha sido no seu período o maior ciclo de queda da cidade e uma fase que favoreceu notoriamente Maringá, cujo líder político, Ricardo Barros, comandava as operações de investimentos do Paraná Competitivo. Aí Londrina perdeu a competição.

Folclore
Vaia irrita mas passa: assim será com Dilma como foi aqui com o Requião, e isso na presença do seu líder mundial, bolivariano como ele, Hugo Chavez. Como também passou aquela de comer semente de mamona diante de Lula estupefato.

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