LUIZ GERALDO MAZZA
Menos febre
Com mais uma decisão do STF mandando liberar empréstimos de R$ 1,5 bi houve uma baixa de temperatura no paciente febril ainda que acoplada aos R$ 817 mi do Proinveste que estaria reduzido à metade. De repente sai tudo o que se esperava e aparentemente não se consegue sair do sufoco porque essa grana tem que ser devolvida, isso é paga como aquelas de outros compromissos, inclusive aquele orgânico, pesadíssimo, decorrente do saneamento do Banestado e que tão cedo não será saldado, sem falar nos R$ 2 bi do Badep que o governo tenta reduzir a menos da metade.
Imagine-se o drama fazendário: a arrecadação cresce sem necessidade de oprimir o contribuinte, mas em progressão aritmética, enquanto a despesa, hipertrofiada, se expande em progressão geométrica e austeridade é algo bem incompatível com o calendário eleitoral, ainda mais em reeleição. O problema portanto não é a receita, mas sim a despesa e como enquadrá-la num mínimo de ordenamento e dentre as dificuldades a de uma programação que evite o vexame das filas de credores desesperados e ameaçando cenas de impacto como a do prestador de serviço e do empreiteiro acorrentados numa repartição ou até, para acompanhar os padrões da moda, à porta do Palácio Iguaçu.
Há um clima novo em todo o governo decorrente dessa descompressão, ainda mais com a evidência de que a arrecadação, depois de um primeiro trimestre, fraco sazonalmente, recuperou a dinâmica habitual. Mas para mostrar a força do acaso estamos, com as enxurradas, com um prejuízo, segundo a Defesa Civil, próximo de R$ 1 bilhão. O fortuito também estoura no caixa e o momento não é propício para um esforço centralizado na recuperação do modelo de gestão financeira, preocupação maior do secretário Luis Eduardo Sebastiani em termos de médio e longo prazos.
Só depois
O último repasse de R$ 6 milhões ao Atlético Paranaense pela Fomento Paraná fica para logo depois da Copa.
Metrô
Todos esperavam uma palavra, firme e articulada, de Jaime Lerner sobre o metrô que sempre combateu pela preferência ao uso e monopólio da superfície. Aliás é notória a resistência do ex-governador e ex-prefeito tanto a viadutos como a passagens subterrâneas, o que se consolidou em doutrina no IPPUC. Da gestão de Luciano Ducci é que houve em função da Copa e das chamadas obras de mobilidade a retomada do metrô com a perspectiva de a parte do leão ser paga, em fundo perdido, pela União. Essa disponibilidade acabou criando prioridade artificial pelo aproveitamento dos recursos e condicionando o governo que se seguiu, o de Gustavo Fruet, que ficou refém do que Lerner chama de obsoleto e que para mim é a retomada de um novo padrão de fonte luminosa. Lerner na OAB anatematizou o metrô e a via calma. Ele também é contraditório: brigou pelo calçadão em favor do pedestre e depois encheu a Grande Curitiba de montadoras, a primeira a Volvo e de máquinas agrícolas e depois as outras quando governador. Recorde-se que ele falou na impossibilidade de existir uma pílula anti-automóvel.
TC crítico
O Tribunal de Contas fez mais um relatório crítico sobre as obras da Copa e espera-se que no seu relato sobre a contabilidade do governo enxergue o sufoco atual em função da perda de referenciais do modelo de gestão financeira. Se não o fizer será uma grave omissão de ordem técnica e doutrinária.
Folclore
Um magistrado que trocou a área cível pela criminal argumentou que tratar com delinquentes reais, carentes de tutela, é ter menos banditismo como o presente nas varas cíveis e da fazenda pública, especialmente em função da política. Falou que advogados roubam clientes e a declaração chocou. Como saiu nas redes sociais e o autor ocultou a identidade do juiz rendeu polêmica.





