LUIZ GERALDO MAZZA
Horror a Requião
Se o senador Roberto Requião não tivesse a mínima possibilidade de ganhar a convenção do PMDB certamente não se promoveria o cerco fortíssimo contra a sua candidatura como a abertura de processo na Polícia Militar para ver quanto se gastou com seus cavalos e dos seus amigos deputados, tanto na Granja do Canguiri quanto no haras Tamandaré que Aníbal Khury comprou dos bicheiros e o governo adquiriu do Buda e transformou em parque.
Quem dá esses sinais de desespero é o governo, a despeito de sua incontestada liderança nas pesquisas eleitorais. Por que agora esse procedimento quando a própria PM e o Ministério Público teriam sobras de razão até para processá-lo a partir de uma coisa elementar: como a de receber esses animais de presente, o que a legislação coíbe ao fixar valores mínimos, tanto para esses casos como para o da oferta de armas para coleção?
Ao aparecer ao lado de um empresário maringaense havia a notícia de que seus adversários políticos sabiam que tal pessoa era devedora de tributos, o que sugere a presunção de terror fiscal, o que nos lançaria no pior primarismo, ainda que se saiba pela formação do secretário da Fazenda, Luis Eduardo Sebastiani, jamais se autorizaria tal linha de procedimento.
Se a eleição fosse a moleza anunciada, não haveria o menor sentido em tanta armação. Quem dá esse suposto poder de fogo a Requião é menos a sua equipe, sabidamente entusiasmada, mas limitada, do que o situacionismo que nem a ocorrência de uma crise grave como a das enxurradas e o drama dos desabrigados é suficiente para afastá-lo desse direcionamento suicida.
Dilúvio
O estrago das cheias (bloqueio de estradas, isolamento de cidades, milhares de desabrigados, perdas humanas e de bens materiais) é certamente o maior de nossa história e mais devastador do que aquele enfrentado por José Richa em 1983. Ainda bem que temos uma razoável cultura de Defesa Civil até pela frequência desses acontecimentos, pois desde 2011 até este ano, praticamente em toda gestão Beto Richa, embora em pontos localizados e não com essa extensão, tanto que ainda ontem meios de comunicação lembravam das sequelas dos deslizamentos na Serra do Mar, na região do Morro Inglês, até hoje expostas como feridas não cicatrizadas, em que pese o socorro havido por parte também do governo federal.
Já se estudou como rotina no Paraná questões dessa ordem ao ponto de aparecerem propostas e elencagem de problemas em campanhas eleitorais sobre correções em rios e canais em pré-estudos, pois desde o fim do DNOS, Departamento Nacional de Obras e Saneamento, pouco, muito pouco, se tem feito tanto em solução macro como na voltada para o âmbito das cidades.
Anomia
Não é apenas a resistência sindical dos metroviários, mesmo com a multa de meio milhão diários, em São Paulo a indicar a marcha para a anomia: o fato de o Conselho Universitário para decidir a sua anuência ao convênio entre o Hospital de Clínicas e a empresa de assistência hospitalar federal ter se reunido, absconso, enrustido, na sede dos Correios e Telégrafos por falta de garantias. Perdemos a noção primária de lei e ordem. O assembleísmo, uma das deformações da participação, está imperando. Democratismo é antidemocracia.
Folclore
Maior prova da crise financeira paranaense é a doação de R$ 500 milhões de saldos legislativos por parte do deputado Valdir Rossoni, o que se completará no fim deste exercício. Ajudar a quem não economiza é risco, tal qual se vê...





