Meio campo amarrado
Com a Copa do Mundo em abertura e a convenção do PMDB, primeiramente marcada para o dia 20 e possivelmente transferível porque há jogo Equador x Honduras naquela data na Arena da Baixada, ainda há, pelo menos na cabeça dos mais crédulos e fanáticos, a esperança de que seja possível alterar posições dos convencionais e obter votos. Antes disso teremos a convenção nacional no dia 10 que certamente manterá aquilo que já foi assentado: o respeito ao que for afinal decidido.

Até lá é claro, a despeito do "underground" da Copa, que mobilizará as atenções, haverá tempo para manobras e é claro que aí se destaca o papel que terá o ex-governador Orlando Pessuti, ultimamente paparicado por Requião, como cabeça de um bloco dentre os três em que se dividirá o conclave. Pessuti adota posição contraditória: pende para a aliança nacional e para Gleisi, mas se fixa na tese da candidatura própria, hoje para muitos a derradeira chance de levar o pleito para o segundo turno.

O sonho dos requianistas é repetir a tática da sua primeira vitória: derrubar o mais cotado do segundo turno, o que fez com José Richa beneficiando José Carlos Martinez na ponta, e partir para um massacre contra Beto Richa, que como o pai, no passado, era o franco favorito, e deixar a decisão para uma disputa com Gleisi e que procuraria detonar no papo, no gogó. Gleisi Hoffmann não é fraca de verbalização, tem um discurso afinado com o sistema dominante, um razoável conhecimento das peculiaridades regionais e das suas tensões e desníveis e promete uma oratória doutrinária, algo que não é comum nas nossas práticas, ao menos nas mais recentes.

Não haverá união
É perceptível que a convenção do PMDB não terá como fechá-la com apelos à unidade, conforme sugeriu, em sua passagem por aqui, Michel Temer. O racha será inevitável e nem Beto Richa e muito menos Roberto Requião teriam meios de evitá-lo porque há agressividade dos dois lados, ainda mais com a purgação de culpas pelo passado de servidão ao senador. Assim há condições de que Beto Richa levando a convenção, como os indicadores atuais dão a entender, ficar com expressiva perda daqueles que à falta de opções marcharão com a postulante do PT. Esse é um dos cálculos da própria Gleisi Hoffmann que reconhece a tese de que Requião levaria tudo ao segundo turno, mas não tem como desprezar a legião de peemedebistas que a prefeririam.

O PSDB já disse qual será o seu discurso: o de que a União persegue o Paraná e quem a configura é a ex-ministra da Casa Civil. Há, porém, argumentos em contrário como a presença da União em vários projetos, inclusive o das estradas que são federais submetidas ao pedágio, e o fato de o Paraná ser um dos Estados cuja iniciativa privada mais recebe recursos do BNDES e assim por diante. A pretensão dela de fazer uma campanha de propostas vai depender do calor dos debates que os tucanos buscarão massificar em cima dos bloqueios federais.

Um novo clima
O governo, diante das sucessivas desconfianças em cima da crise fiscal, adotou uma agenda positiva nesse campo. O pagamento do reajuste de 6,28% a todo funcionalismo é uma delas, já que o incluiu na folha de pagamento de maio quando a matéria ainda tramitava no Legislativo. Espera-se explorar melhor esse fato a partir do momento em que a União liberar os empréstimos com um raio-x bem detalhado da quadra financeira e anúncio de obras que foram ou serão retomadas. A ida do secretário da Fazenda, Luis Eduardo Sebastiani, para relatar dados do quadrimestre se insere nessa perspectiva. Ficou demonstrado que o ritmo da arrecadação vai bem sem forçar a barra com prensa fiscal, mas o problema continua o mesmo: a despesa que cresce em função do tamanho da máquina ainda carente de um mínimo de austeridade.

Um clima de otimismo, como o dos institucionais que mostram as médias nossas superiores às nacionais em indicadores macroeconômicos, negará a crise, apesar do chio dos credores indóceis.

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