LUIZ GERALDO MAZZA
Brigadas sindicais
A ação dos sindicalistas proibindo a saída dos micro-ônibus sob o fundamento de que estavam fiscalizando o cumprimento da lei que proíbe a dupla função (o motorista agir cumulativamente como cobrador) é bem amostra da anomia em que estamos embarcando. O TRT demorou para tomar a óbvia decisão de proibir essa inspeção indevida, na verdade uma pressão em cima de matéria discutível.
Arrogando-se em função que caberia, se fosse o caso, ao Ministério do Trabalho o sindicato de motoristas e cobradores lançou o caos na Capital com a máxima desenvoltura. Em vários pontos do país sindicalistas não respeitam decisões judiciais e há uma faixa de tolerância muito grande que ajuda a manter a desordem. Quando a justiça admite que uma dissidência sindical possa intervir nos feitos e manter uma greve, embora a ausência de legitimidade de parte, fundamento de qualquer ação judicial, tudo pode acontecer.
Como se vê dispensa-se o uso das máscaras, mas o fundamento do "Black Block" está aí reconhecido nessas brigadas que lembram as do fascismo e comunismo, auto proclamados comissários do povo.
Raiz da baderna
Recentemente a presidente Dilma Rousseff, no decreto 8.243, que cria a política nacional de participação e o sistema correspondente impondo que a "sociedade civil", no caso representada por entidades coletivas, sejam institucionalizadas ou não, participe das decisões de órgãos da administração direta ou indireta. É o fermento do fascismo em nome da democracia direta e um esforço para suprimir os entes intermediários entre o Estado e a cidadania, pois existem na prática mediadores sindicais, liberais e corporativos que já exercem esse papel. A Faep está acusando o decreto de aloprado e fazendo veementes restrições ao que chama de simulacro de bolivarianismo. Melhor do que esse tipo de manifestos seria a provocação imediata do Poder Judiciário.
Como se vê não vivemos um bom momento com esse tipo de fermentação tocado de cima para baixo, verticalmente. A OAB, principalmente, que tem papel institucional nesse tipo de mediação, deveria tomar posição imediatamente.
Por que cai
Dilma Rousseff, de fevereiro para cá, perdeu 10 pontos no DataFolha, mas seus competidores estacaram. Há insegurança quanto ao rumo da economia e inexiste confiança num momento em que se espera algo de novo. Hipótese de ganhar no primeiro turno, como se dá regionalmente com Beto Richa, está afastada, daí também a perda daquela soberba do grupo majoritário, ora mais cauteloso.
Supressão
Norberto Bobbio elencava, entre as ameaças à democracia, o empenho dos governos em suprimir os chamados entes intermediários. Tivemos aqui, em vários governos, esse tipo de postura quando convocavam para o secretariado ou empresas públicas dirigentes sindicais (o da polícia virou ouvidor) e do Crea, o que obviamente tira a liberdade desses organismos no intento de cooptá-los.
O pior é que a sedução do poder é magnética. Vide o horror a Lula dos trusts e depois o seu empenho em bajulá-lo.
Linchamento
Tentativa de linchamento na Boa Vista de um jovem que usava uma arma de brinquedo para assaltar. O "justiçado" passa mal. No mesmo dia na madrugada lançaram fogo num morador de rua no centro da Capital. A insânia predomina.
Folclore
Gentil Cardoso era o treinador do Fluminense. Encerrado o treino costumava pedir aos jogadores que dessem voltas olímpicas no campo para ajustar a forma física. Num dia ele flagrou o Mirim ocioso numa parte do gramado. Pegou o megafone e deu a ordem: "Mirim, duas voltas pra mim!". Mirim botou a mão em concha, para ser bem ouvido, e repicou rimando "Gentil, vai a pqp!".





