Pesquisas clonadas
Com a ânsia de regulação que afeta a competição eleitoral agora surgiu mais um problema: as pesquisas paralelas. Não se trata daquilo que já é praticado como rotina, mas de pesquisa-clone a princípio para sair ao lado das que forem produzidas pelos organismos principais, Ibope e DataFolha, em cima e ao lado de suas sondagens. Em princípio elas visariam atender uma necessidade especial do mercado financeiro sempre abalado por essas publicações pelas específicas reações produzidas como se deu quando a Bolsa crescia com a queda da presidente Dilma Rousseff em verdadeira gangorra.

Se a pesquisa-clone visasse tão somente a interpretação de interesse do mercado acionário bastaria utilizar analistas em cima dos números produzidos, mas a ambição é maior: a de concorrer na produção dos números.
Como é grande a preocupação com o fato de as pesquisas induzirem eleitores ao voto e mais ainda quanto à imprecisão histórica dos seus resultados, mesmo dos institutos mais renomados como o Ibope (todos se lembram da votação em que se dava menos de um dígito a Rubens Bueno que cravou 20% e o levou a uma ação judicial contra a organização), teremos um complicador a mais.
Há quem defenda (e lembro que essa era a posição do Rogério Bonilha que as fazia com razoável precisão no Paraná) a presença dos organismos de representação profissional de sociólogos e estatísticos para chancelar com selo de regularidade essas pesquisas.

Entressafra
Daqui até a data da convenção do PMDB haverá espaço suficiente para criar fatos políticos com a intenção de ampliar espaços naquela disputa. Espera-se mais do senador Roberto Requião que ainda ontem tuitou sobre o homem da mala do grupo majoritário, um tal de Edson, segundo o filho do ex-governador. Já os majoritários se acreditam com mais de 75% dos votantes, conquanto revelem extremo cuidado com delegações de pequenos municípios. Prevalece a composição Dilma-Beto Richa há pouco chamada de Dilmicha, apesar de a palavra micha ser referência à chave-fajuta de uso de ladrões no jargão policial.

Ofensiva
Nunca a polícia do Paraná foi tão protagonista como agora, ontem com a mega operação desencadeada da loja Havan na linha verde contra o narcotráfico na Vila das Torres e com a solução em Pinhais de um sequestro. Agora estão falando em módulos móveis para ações rápidas em focos de criminalidade ao lado de iniciativas robustas como as unidades do Paraná Seguro, decalque da polícia pacificadora do Rio que não conseguiu, até agora, neutralizar o narcotráfico, apesar de implantada em todas as favelas.

Relâmpago
Ontem, das 12h30 às 13h, greve relâmpago de trabalhadores da Viação Marechal de Curitiba. Movimento lembra as grevilhas (soma de greve e guerrilha) dos bancários do pré-1964, operações-tartaruga ampliadas. No vale tudo atual não surpreende, ainda mais com a impotência da autoridade ante atos típicos de desobediência civil.

Propaganda
Uma ofensiva federal em anúncios de sua atuação no Paraná para beneficiar a senadora Gleisi Hoffmann se seguirá de detalhada exposição dos investimentos para neutralizar a denúncia de perseguição. Da parte de Beto Richa como sempre a exploração de dados macroeconômicos como se fossem feitos do governo.

Folclore
A pré-candidata do PT, Gleisi, sempre se mostrou ligada ao misticismo com incursões num guru e agora revela que só apresenta projetos na lua crescente, enquanto seu adversário principal só age no eclipse exatamente como agora: quanto menos obras, mais dívidas e, surpreendentemente, mais Ibope.

Gás
Mais uma bronca ambiental, agora é o "fracking" que Petrobras e Copel estão autorizados a explorar o gás do folhelho xistobetuminoso anteontem bloqueada judicialmente. Em Toledo a movimentação maior.

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