LUIZ GERALDO MAZZA
Um salto ao opaco
Quanto mais se fala em transparência, ao menos no que diz respeito ao pedágio em nossas estradas, mais afundamos no opaco. De nada adiantou a bravata furiosa de Requião do "baixa ou acaba" bem como nada prosperou com as duas CPIs que trataram do tema e pouco apuraram. Como a instituição parlamentar da mesma forma que a maioria aliada atua como apêndice do governo estadual, ele recebeu mais garantias para continuar agindo na mais absoluta obscuridade.
Contratos milionários estão sendo feitos em duplicações - o que é melhor do que a inércia a que o sistema se condenava - sem que se tenha conhecimento de custos, quem ganha e quem paga, se verbas orçamentárias ou apenas as derivadas do caça-níqueis da cobrança das tarifas pelo uso da estrada. Até a Justiça Federal já chiou contra essa esperteza (ou seria a alma do negócio?) de nada se saber em detalhes desses contratos incidentes sobre rodovias federais e por isso mesmo de interesse do Tribunal de Contas da União que não pode ficar à margem dos eventos.
O pior é a pose que esse pessoal, no desempenho da arte parlamentar, tenta sugerir que defende o público quando não aprofunda as investigações e ratifica tudo o que o governo faz e da mesma forma não se vê nada da recém-criada agência reguladora. A de São Paulo já indicou concessionárias que devem pagar e as que têm grana a receber por força de faturamento fora de parâmetros contratuais. Aqui nada como se tivéssemos o espírito da Fifa, aquele que dribla leis e normas, até princípios constitucionais, e manda às cucuias qualquer vislumbre de soberania como num país sob ocupação.
Desníveis regionais
Santa Catarina é bem mais equilibrada que o Paraná: Joinville é seu PIB principal, mas o segundo não é Florianópolis e sim Itajaí, graças à evolução de sua malha portuária, bem mais moderna e em conjunto mais equipada do que a nossa. Um outro fator de desenvolvimento excepcional é o módulo municipal, o equilíbrio dos diversos setores da economia, a força dos maiores como Blumenau e Jaraguá do Sul e dos menores que surpreendem por sua autossustentação.
Por que uns municípios do Paraná crescem mais do que outros e nessa reflexão perturba a queda de números de Londrina como expressão industrial e de serviços. Como o governo, apesar da resistência do Ipardes, deixou de fazer do planejamento uma rotina e de estudos sistemáticos a respeito das tensões regionais, é da mais alta oportunidade essa convocação da FOLHA com os "Desafios 2015" para buscar horizontes ao interior do Paraná, o que acompanha iniciativas como as da Fiep, que fez diagnósticos e propostas para micro e macrorregiões de médio e longo prazos. Como o Estado como instituição praticamente se tornou leigo na matéria, toda ação que vier da academia ou de instituições particulares será de extrema utilidade.
Surpreende o fato de que enquanto o governo mantém incentivos a investimentos nacionais e estrangeiros de porte (ao ponto de acumular R$ 30 bilhões) tenhamos perdido o respaldo da retaguarda técnico-científica.
Atraso
Curitiba, como as demais sedes da Copa, mantém a tradição do atraso nas obras de mobilidade: a ligeira melhora (rodoferroviária, linha verde, avenida das torres) é insuficiente e o aeroporto de Afonso Pena à espera de melhoras que só virão depois de 2015,
Cantochão
A onda é atribuir tudo de ruim à União para sustentar a farsa da perseguição, tanto que a CPI do Pedágio ao sugerir baixa de 25% nas tarifas se limita a corte de tributos federais e nem percebe que a agência reguladora local não funciona.
Folclore
Aristides Vinholes, livreiro, surpreende nas estantes um padre lendo obra pecaminosa. E, irreverente, adverte: "Primeiro a literatura fescenina, depois o arrependimento, a penitência reparadora e abluções de água benta".





