Um salto ao opaco
Quanto mais se fala em transparência, ao menos no que diz respeito ao pedágio em nossas estradas, mais afundamos no opaco. De nada adiantou a bravata furiosa de Requião do "baixa ou acaba" bem como nada prosperou com as duas CPIs que trataram do tema e pouco apuraram. Como a instituição parlamentar da mesma forma que a maioria aliada atua como apêndice do governo estadual, ele recebeu mais garantias para continuar agindo na mais absoluta obscuridade.
Contratos milionários estão sendo feitos em duplicações - o que é melhor do que a inércia a que o sistema se condenava - sem que se tenha conhecimento de custos, quem ganha e quem paga, se verbas orçamentárias ou apenas as derivadas do caça-níqueis da cobrança das tarifas pelo uso da estrada. Até a Justiça Federal já chiou contra essa esperteza (ou seria a alma do negócio?) de nada se saber em detalhes desses contratos incidentes sobre rodovias federais e por isso mesmo de interesse do Tribunal de Contas da União que não pode ficar à margem dos eventos.
O pior é a pose que esse pessoal, no desempenho da arte parlamentar, tenta sugerir que defende o público quando não aprofunda as investigações e ratifica tudo o que o governo faz e da mesma forma não se vê nada da recém-criada agência reguladora. A de São Paulo já indicou concessionárias que devem pagar e as que têm grana a receber por força de faturamento fora de parâmetros contratuais. Aqui nada como se tivéssemos o espírito da Fifa, aquele que dribla leis e normas, até princípios constitucionais, e manda às cucuias qualquer vislumbre de soberania como num país sob ocupação.

Desníveis regionais
Santa Catarina é bem mais equilibrada que o Paraná: Joinville é seu PIB principal, mas o segundo não é Florianópolis e sim Itajaí, graças à evolução de sua malha portuária, bem mais moderna e em conjunto mais equipada do que a nossa. Um outro fator de desenvolvimento excepcional é o módulo municipal, o equilíbrio dos diversos setores da economia, a força dos maiores como Blumenau e Jaraguá do Sul e dos menores que surpreendem por sua autossustentação.
Por que uns municípios do Paraná crescem mais do que outros e nessa reflexão perturba a queda de números de Londrina como expressão industrial e de serviços. Como o governo, apesar da resistência do Ipardes, deixou de fazer do planejamento uma rotina e de estudos sistemáticos a respeito das tensões regionais, é da mais alta oportunidade essa convocação da FOLHA com os "Desafios 2015" para buscar horizontes ao interior do Paraná, o que acompanha iniciativas como as da Fiep, que fez diagnósticos e propostas para micro e macrorregiões de médio e longo prazos. Como o Estado como instituição praticamente se tornou leigo na matéria, toda ação que vier da academia ou de instituições particulares será de extrema utilidade.
Surpreende o fato de que enquanto o governo mantém incentivos a investimentos nacionais e estrangeiros de porte (ao ponto de acumular R$ 30 bilhões) tenhamos perdido o respaldo da retaguarda técnico-científica.

Atraso
Curitiba, como as demais sedes da Copa, mantém a tradição do atraso nas obras de mobilidade: a ligeira melhora (rodoferroviária, linha verde, avenida das torres) é insuficiente e o aeroporto de Afonso Pena à espera de melhoras que só virão depois de 2015,

Cantochão
A onda é atribuir tudo de ruim à União para sustentar a farsa da perseguição, tanto que a CPI do Pedágio ao sugerir baixa de 25% nas tarifas se limita a corte de tributos federais e nem percebe que a agência reguladora local não funciona.

Folclore
Aristides Vinholes, livreiro, surpreende nas estantes um padre lendo obra pecaminosa. E, irreverente, adverte: "Primeiro a literatura fescenina, depois o arrependimento, a penitência reparadora e abluções de água benta".

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