Peteca ou tacape
Campanha eleitoral no Paraná tem sido mais na base da peteca do que do tacape e isso não tem permitido uma análise do que pretendem os candidatos. Pergunta-se: Beto Richa tinha um projeto orgânico com metas preestabelecidas? Não e até hoje não tem. Gleisi Hoffmann, com estilo muito parecido naquele linguajar tecnoburocrático ao da presidente, o terá?
A mediocridade da nossa política já circunscreveu o debate ao seguinte: Beto Richa quebrou o Paraná, em que credores postam-se em filas inúteis, ou quem o teria provocado seria a ministra Gleisi Hoffmann, fazendo barragem aos nossos empréstimos desesperadamente retidos?
Como a afirmação do governador, repetida à exaustão por ele e seus agentes, é colocada como palavra de ordem, percebe-se que até aqui governistas federais, ante a resistência burocrática aos empréstimos, mesmo respaldados em liminares do STF, fazem o jogo dos situacionistas ratificando aquilo que seria preciso retificar ao menos no campo das versões, o da política.
Tempo e energia serão consumidos nesse pingue-pongue superficial que não vai ao fundo de coisa alguma: nem o governo estadual se defende da malversação dos recursos públicos na manutenção das despesas com pessoal em cima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal e com 20% a menos do que deveria investir em saúde; e a suposta má vontade da União, já histórica, passa a ser presumida como um exercício silogístico.
Com essa tensão dialética, leva a melhor o governo, embora corra o risco, lá por novembro, depois do segundo turno, de não poder honrar as três folhas de pagamento dos barnabés, ameaça sazonal que se repete todo exercício. Quer dizer: a demonstração da quebra, aí, seria inútil. A fatura que interessa estaria paga. E isso é mais importante do que ter razão e levar a melhor na discussão. Como faz falta um pouco mais de tacape e menos de peteca!

Quebrar paradigmas
A Folha de S.Paulo levantou um problema: seis em cada dez alunos da USP poderiam pagar mensalidade e livrar a instituição da crise em que afundou já que a folha salarial de professores e funcionários excederia o repasse do Estado à instituição. Isso aí, como a questão da cessão do Hospital de Clínicas no Paraná à empresa federal, atinge dogma, ambos irremovíveis.
Lembro que no grupo escolar e no ginásio, bem como no científico, pagávamos taxas e delas nos livrávamos com bolsas de estudo e também na universidade. No Paraná, até Alvaro Dias, a universidade estadual era paga: foi ele quem aboliu os pagamentos em gesto grandiloquente. Hoje, os gastos com o terceiro grau representam 10% do total dos dispêndios, algo bem maior que os empréstimos.
Se no caso do HC, tal a dimensão da crise, pode não haver alternativa se não a de acertar-se com a União, a hipótese de cobrança no ensino superior é bem remota capaz de levantar a rapaziada à rebelião, a uma guerra santa. Se nem o regime militar ousou romper o paradigma, imagine-se agora com a tolerância desmedida do nosso incurável populismo.

Maçarico
Polícia capturou uma gangue do maçarico originária de Joinville. Tinha quatro integrantes. Dias passados a FOLHA noticiou que Santa Catarina é o destino principal dos paranaenses. Já se vê que se dá o inverso no rumo criminal. Pelo jeito aqui é mais fácil.

Folclore
A seleção australiana bateu por 2 a 0 o time do Paraná ontem em Vitória, Espírito Santo. O Paraná pelo menos conheceu Vitória ontem, algo que não acontecia há bastante tempo.

Saúde
Há uma programação financeira para ajustar a questão constitucional dos 12% em saúde mais aquele resíduo de exercício anterior. Operação em marcha.

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