LUIZ GERALDO MAZZA
Solidário aos PMs
Antes da decisão do comando da Polícia Militar de afastar os policiais acusados de matar dois jovens rapidamente, tanto o governador como o secretário de Segurança acataram a tese, contestada por testemunhas, de que os milicianos reagiram a um ataque.
O governador está em dívida também com a corporação que, por seus oficiais, voltou a defender o restabelecimento da isonomia de ganhos entre a hierarquia e os delegados de polícia. A questão da morte dos jovens era polêmica o suficiente para recomendar contenção em qualquer pronunciamento, mas Beto Richa, que é a autoridade maior sobre a PM, colocou a questão da legítima defesa, o que não impediu que pouco depois houvesse a notícia do afastamento dos policiais enquanto se faz investigação, na qual intervém o Gaeco. Dá para imaginar se com a investigação por um órgão independente ficar demonstrado que houve excesso dos militares pegará mal para o governo o açodamento.
Ocorre que, daqui para a frente, tudo o que puder gerar fato político será acionado e haverá riscos. Por exemplo: o relatório das contas do quadrimestre por parte do secretário da Fazenda, Luis Eduardo Sebastiani, foi positivo porque não engambelou e encaixou a realidade de que se nos gastos com pessoal já se chegou a um ponto de relativo equilíbrio, o mesmo não se pode dizer na questão dos investimentos em saúde que não chegaram a 10% quando o mandamento da Carta fala em 12%.
O aumento
Com o aumento de 6,28% para o funcionalismo, a conta novamente esbarra no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, há parcelas dos atrasados com o magistério, o reenquadramento do pessoal técnico, demanda de juízes e procuradores em cima do auxílio-moradia, sem falar na certeza de que o retorno dos quinquênios para Judiciário e Ministério Público acabam reenquadrando o Estado na infração dos dispêndios com pessoal.
Greve
Agora quem ameaça com greve é a categoria dos médicos de unidades de saúde e Samu com assembleia marcada para segunda feira.
Operação Temer
Todas as facções do PMDB - a que quer candidato próprio ou coligação com PSDB - estarão hoje dando atenção a Michel Temer para influir nos rumos da convenção do partido. Os adesistas dissimulam sugerindo que estão com Dilma quando se sabe das dificuldades de candidato presidencial petista levar a melhor por aqui. O salão do restaurante Madalosso estará lotado e a dissimulação dos grupos dificulta uma previsão segura de que lado pende a balança da convenção.
Dorizzon
Até o fim do ano é possível que a Estância Hidromineral Dorizzon volte a engarrafar a água que foi famosa nos anos 50 e 60. Disputavam o mercado duas águas sulfurosas: a Dorizon, então com um zê, e a Lambedor.
Pandemia
Como estava previsto nas centrais sindicais, numerosas categorias se valeriam da abertura da Copa do Mundo para fazer greve, agora a dos metroviários de São Paulo, marcada para o dia 5. Governo busca arsenal jurídico, como aquele que cobra excessos e gastos com a Guarda Nacional em cima de sindicatos, para evitar também as distorções violentas. Da endemia de greves à pandemia.
Melhora
Um dos sinais de melhora na gestão fazendária é o fato de a dívida de R$ 1,1 bi estar agora, segundo Sebastiani, reduzida a R$ 300 milhões.
Folclore
No jornal "O Estado do Paraná" o colunista Sebastião Oliveira Salles, criticando a emissão de dinheiro, abriu o texto com o título "Dinheiro não é capim", o que irritou o redator Coelho Júnior, ligadíssimo em agrostologia e alimentação do gado, que repicou "Capim é dinheiro". No dia de receber o vale semanal, Coelho foi olhar o seu envelope que tinha apenas capim: as artes como sempre diabólicas do João Batista de Moraes, o gerente da casa.





