MON à venda
Houve má interpretação de ironia em cima da hipótese da venda do Museu Oscar Niemeyer para reduzir o abalo financeiro do governo. À época da construção, tocada por Alex Beltrão, um dos norteadores do Paraná, moderno pelas linhas de planejamento da Codepar-Badep de Ney Braga, falou-se muito que o porte da obra era de tal densidade que poderia abrigar um Guggenheim. Nossa vocação para o exagero, ainda mais quando se trata de feitos de Jaime Lerner, é infinita.
Referi-me a duas coisas invendáveis - o Parque Estadual de Vila Velha, item da memória geológica da humanidade, registro da teoria de que éramos colados à África no movimento continental, e o MON - para caricaturar pedagogicamente a burrice do governo em busca de ativos para vender como pretendia com parte das suas florestas. Mas Beto Richa chegou à sublimidade nos exageros para criar dificuldades aos seus credores com a mensagem que visava baixar o teto da Obrigação de Pequeno Valor de 40 salários mínimos (R$ 28.960) para dez salários mínimos (R$ 7.240), confissão de falência, como aludiu Tadeu Veneri, e que levou a liderança do governo a devolver o projeto ao Executivo. Ora, esse tipo de dívida de pequeno valor não entra na fila de precatórios do Estado, devendo ser paga após a decisão judicial. Mais moratória mesmo para a mesquinharia era o que se pretendia: valer-se de um artifício judicial como fez com o fôro especial para o Ezequias para livrar-se de um constrangimento: lançar, enfim, para as calendas dívidas de botequim. Deu o atestado final: quebrou o Estado com toda a imponência da rapidez com que pinça registros da macroeconomia para sugerir que o Paraná é a mais rica unidade brasileira, supera as médias nacionais de desenvolvimento, mas com o cofrinho de cerâmica, em forma de um porquinho dos tempos da poupança Banestado, vazio como a cabeça da maioria da sua equipe.
Em que medida os feitos do Paraná são devidos a um governo sem obras e na fuga de credores, pequenos e grandes, como a tal dívida de R$ 1,3 bi para a Copel? As obras visíveis - rodoviárias, especialmente - não lhes sabemos o custo porque acertadas em sigilo, já que não captamos se as pagará apenas com tarifas de pedágio ou com investimentos paralelos e substanciosos.

Mudar o jogo
A tese do empobrecimento e da quebra fortalece a denúncia de que toda a crise é devida a bloqueios da União, discurso meramente político, razoavelmente bem sacado, insustentável todavia para uma explicação cabal. Pelo jeito essas ações (a da venda das florestas e da redução do teto das obrigações) se inserem numa linha de artifícios para acentuar a crise num estágio próximo da mendicância, o governo pedinte e sem saída, como esmoler de rua.
No passado, nosso exagero era o triunfalismo, eficaz à nossa autoestima. Nosso governo precisa submeter-se urgente ao divã do psicanalista.

Dia d?
Amanhã, mais do que ontem, é o "dia d" do PMDB, com encontro com o vice Michel Temer a respeito do caminho do partido: se aliado com o governo estadual ou candidatura própria. Nessa solução, única hipótese quente é Requião, capaz, inclusive, de evitar a vitória de Beto Richa no primeiro turmo e dar fôlego a Gleisi Hoffmann.

Polícia eficiente
A apreensão de 80 mil comprimidos de ecstasy (a maior do Paraná e a segunda do País) em vigilância contra ladrões que negociavam com o tráfico é o máximo feito recente de nossa polícia.

Folclore
Ninguém sabe mais do que o deputado Luis Claudio Romanelli, autor da divulgação dos documentos de que José Richa se habilitara à aposentadoria e que o derrotaram, dos talentos de Requião para tirar um líder de pesquisas do primeiro turno e como liquidar o outro no segundo turno com o golpe Ferreirinha. Como participou das duas, não subestima Requião e o deseja fora da disputa. Usará os seus talentos para quem está no poder como da outra vez. Não mudou; mudaram, como dizia Ortega y Gasset, as circunstâncias.

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