Os anéis e os dedos
Esse episódio da licitação das fazendas pertencentes ao Estado é mais uma forte evidência da quebra, do cracking, jamais vivido em nossa história com tal contundência. E para ampliar a paranoia oficial, o leilão fracassou e essa não pode ser atribuída a Gleisi Hoffmann como em tudo mais.
Os pragmáticos do governo argumentam que essas reservas têm um custo muito alto e que seria vantagem elementar o governo vendê-las. Se a Copel, na hora da venda, no governo Lerner, foi rejeitada pelo mercado, era de esperar-se que algo semelhante ocorresse para complementar a lição ao governo que não toma consciência da adversidade que o envolve e que deveria apelar para soluções de austeridade e aplicar uma lipoaspiração no monstro adiposo e ineficiente, essa água viva pegajosa, com suas mais de 30 secretarias e os seus milhares de cargos em comissão.
Não será vendendo os ativos (que tal o Parque de Vila Velha e em sua cola o Museu Oscar Niemeyer, o Guggenheim poderia ser interessado?) que o governo sairá da aflição. Livrar-se dos anéis para salvar os dedos, como se percebe nessa oferta florestal, é porque os dedos podem ter utilidades ainda mal exploradas: celebrar o "V" da vitória na reeleição, apontar o polegar para cima ou para baixo, conforme o destino, ou fazer, enfim, à maneira dos americanos aquela "rodinha" do tudo OK ou de outro significado pouco parlamentar.

MP em ação
Atento ao edital e aos registros da mídia, mais os comentários que negavam qualquer utilidade no leilão florestal, o Ministério Público já havia aberto procedimento para questionar o legalidade do ato. Isso e mais as prometidas salvaguardas ambientais que o vendedor exigiria do comprador, já que essas propriedades seriam tratadas como APA, Área de Preservação Ambiental, devem ter influído na hostilidade ao leilão.
O judiciário rechaçou ações e mandados que pleiteavam a suspensão.

Agora no Judiciário
Bem que estava demorando, mas agora eclodiu: a rebelião dos funcionários do Judiciário, seguindo argumentos apropriados à corporação como o das isonomias entre a primeira instância e a superior, querem aumentos. Ontem tivemos as primeiras movimentações do Sindijus e se forem exitosas como a dos professores chegaremos ao ponto inimaginado: atraso nas folhas de pagamento de barnabés.
Todo governo sabe que funcionário gosta de votar na oposição, mas muito mais de aumento, necessidade vital.

Ciclovia
Pista de automóveis foi reduzida drasticamente na Avenida Sete de Setembro para garantir espaço a bicicletas. O chio é da maioria, os motoristas.

Memória
Na sétima rodada do Brasileirão, ano passado, o coxa permanecia na ponta e na temporada atual tem tudo para ficar na segunda divisão: não dá um mínimo sinal de reação. O receio é que o presidente, como chefe da delegação brasileira na Copa, transmita o vírus da apatia que se disseminou no Coritiba.

Fim de feira
Não bastasse a quebra financeira estadual, empresários não sabem mais a quem apelar como vítimas de assaltos e roubos: em abril, a rede de farmácias Nissei de Curitiba sofreu 146 ataques, muitos à mão armada: uma Nissei da Rua Coronel Luis dos Santos bate recorde com três assaltos por dia; na Multilojas 42 e na Corujão afano de frota de automóveis. Empresários gastam milhões com segurança por causa da ausência do Estado inadimplente.

Folclore
Na insolvência, o governo aposta na reeleição para cumprir o que prometera no período que está se encerrando. Devedor sempre carece de prazo, muito prazo.

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