LUIZ GERALDO MAZZA
Euforia sem depressão
A prioridade do governo não é a crise financeira, mas as amarras das alianças eleitorais. Daí a euforia decorrente da certeza de que está tudo dominado até mesmo no PMDB. O problema fiscal empurra-se com a barriga, enquanto se aguarda, posto que não haja previsão, a liberação das verbas federais.
Dentro em breve o secretário da Fazenda, Luis Eduardo Sebastiani, fará no Legislativo estadual a avaliação do primeiro quadrimestre, cujos números ainda não estão fechados, e certamente não haverá sinais de sinistrose. Resta apenas celebrar o acerto no PMDB agora unido em torno do vice Caíto Quintana, o que torna o grupo requianista num exército brancaleone e o de Pessuti, bem mais fraco, num contemplador sem privilégios na convenção.
A prodigalidade está em festa: ganha a eleição, há todas as condições, pelo menos no imaginário, para consertar tudo, pois afinal terá quatro anos para fazê-lo como teve agora e não aproveitou. É a redenção prometida e repetida.
Youssef de novo
Pelo jeito vão ser retomados outros processos que envolveram Alberto Youssef como os do CC5-Banestado com a denúncia, ontem feita pelo Ministério Público Federal e acatada pelo juiz Sérgio Moro. Ninguém mais autorizado para fazê-lo do que o magistrado que afinal presidiu aquele caso. Pode haver em consequência um desbloqueio de procedimentos como o da Copel-Olvepar que ficou hibernado e no qual o doleiro também exercia papel ponderável.
Adesão parcial
O reitor da Universidade Federal, Zaki Akel, não aceita uma adesão integral à empresa federal que dá assistência a hospitais no caso do Hospital de Clínicas por causa da resistência do Conselho Universitário. Ocorre que se não houver alternativas, a crise persiste endêmica. Busca-se uma solução menos traumática relativamente ao raio de autonomia da instituição acadêmica.
Tivéssemos um estadista no governo ele entraria na parada até porque o HC é uma instituição suprarregional atendendo todo o interior paranaense, parte de Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Mais lucro
A Copel se orgulhava, outro dia, dos lucros obtidos no ano passado. Apesar disso, ou talvez por isso mesmo, ela pleiteou junto à Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, um aumento de 30% nas tarifas a partir de 24 de junho. E se houver mais sinal de recessão industrial, já sinalizada, a Copel sabe que terá uma contribuição pesada nesse problema.
Requião abusava por deprimir tarifas de luz e água e Beto Richa age em linha contrária: o Estado pode quebrar com tantos devedores, mas indiretas como a Copel e a Sanepar ficarão riquíssimas sob sua orientação. Só falta a Fiep, Federação das Indústrias, achar que está tudo nos conformes.
O poder da Fifa contaminou o governo: eletrocutemo-nos.
Depósitos
Governo, como sabeis, meteu a mão indevida nos depósitos judiciais (ação, inclusive, monitorada pelo CNJ por estar no processo da eleição de Fábio Camargo para o TC e na atuação do pai, Clayton Camargo, que presidia o TJ) e devolveu R$ 17 milhões, mas há ainda mais de R$ 200 milhões em análise.
Chegaram ao cúmulo de se apropriar de troco como R$ 1,25. Que miséria. É o bichinho eletrônico, o come-come, em ação.
Folclore
Carlos Lacerda está na tribuna parlamentar, a imponência de um Marco Túlio Cícero entoando as catilinárias. Um deputado do baixo clero, tentando jogar com o público, compara-o a um detetive compulsivo atrás de culpados como se fosse um Sherlock Holmes. Sem alterar a posição, mas olhando em direção ao aparteante ele saca "elementar, meu caro Watson!".





