LUIZ GERALDO MAZZA
Cautela imperiosa
O aparente recuo do ministro Teori Zavascki na liberação dos presos da operação Lava Jato, limitando-a ao caso específico do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, se deveu à postura cautelar do juiz Sérgio Moro, da primeira instância, que não entendeu a abrangência do ato que favorecia doleiros envolvidos em lavagem de R$ 10 bi. A manutenção das prisões foi a consequência imediata do entendimento do ministro ao atender o alerta.
Não há qualquer quebra de hierarquia quando a primeira instância pede à superior um clareamento sobre a extensão do ato liberatório, embora a reação inconformada dos advogados que festejaram precipitadamente a medida jamais imaginando que seria, em seguida, abrandada no interesse superior da Justiça.
Sérgio Moro é o magistrado que presidiu a investigação e julgamento do CC5- Banestado que teria desviado cerca de US$ 30 bi no governo Lerner e na qual o doleiro Alberto Youssef se valeu da delação premiada na condição de operador do esquema internacional. Alguns dos indiciados, entre os doleiros, têm parte com o tráfico de drogas.
Tecnicalidades podem, num processo como esse, pela extensão do prazo em que os indiciados permanecem presos, fundamentar a liberação que, no caso, só favoreceu Paulo Roberto Costa. Aliás, politicamente foi explorado o fato, o que não tem nada a ver com o caso, de que numa das "escolinhas" do governador Requião ele teria recebido, com ênfase, o ex-diretor da Petrobras.
Incomparável
Quem viu o Roda Viva com o nosso governador na semana passada e agora assistiu a entrevista, no mesmo programa, da atriz Irene Ravache percebeu o superior desempenho da artista na variedade dos temas abordados, inclusive o político na sua decepção pessoal com o Partido do Trabalhadores. A superioridade do testemunho da atriz, por sua densidade, foi incomparável, embora na fotogenia levássemos a melhor.
Creches
Antes era o Ministério Público do Trabalho agora é o estadual que pretende obrigar autoridades a erguer creches porque nada menos de 40% das crianças de 4 a 5 anos estariam fora da rede protetora e o prazo para o cumprimento dessa obrigação está por esgotar-se.
Cassinos
Apesar das proibições, cassinos continuam operando à toda no Paraná: anteontem fecharam mais um no Xaxim. E aquele caso da mansão invadida por policiais, ainda por cima encapuzados, que deu margem à prisão de hierarca da Secretaria de Segurança, como fica? Apesar da intervenção do Gaeco e das prisões e testemunhos pouco se sabe do processo.
HC pro HC
Quem está precisando de um "habeas corpus" é o Hospital de Clínicas, volta e meia envolto em crise por causa do fato de ser o único do gênero no Brasil que não é mantido por verbas federais. A solução meia-sola de pagamento pela Fundação da Universidade deu margem ao pleito de demissão em massa de seus servidores por não serem concursados pela Justiça do Trabalho, percebendo-se que as greves, talvez necessárias, se tornam inócuas como a mais recente. Com o retorno ao trabalho, como se deu ontem, não significa solução e sim apenas adiamento de um problema permanente. Governador e prefeitos do Paraná deveriam fazer disso uma causa. Talvez até marcha a Brasília. Não há prioridade maior do que essa nesse momento no Paraná.
Folclore
Em 1953, centenário do Paraná, Getúlio Vargas estava no Palácio São Francisco e eu, como funcionário do setor de imprensa, fui chamado pelo Chefe da Casa Civil, Milton Carneiro, para ir ao pavimento superior. Lá no alto da escada o Gregório Fortunato fechava a passagem e ele me deu um suave empurrão que lembrou aquele da Renata Sorrah na novela da Globo. Não foi um feito jornalístico, mas um susto. Depois outra testemunhal: vi Getúlio anunciar a criação da Eletrobras no salão nobre da Faculdade de Direito de Curitiba.





