No feirão da Caixa
O governo, se tivesse grana, poderia entrar na fila do Feirão da Caixa Econômica, bater um papo com Raí e comprar prédios para substituir os inúmeros, aí incluído o da diretoria da Polícia Civil, alvo judicial de um despejo que advogados do Estado empurram com a barriga há dois anos, a serem desocupados. Aliás não são poucos os edifícios do governo abandonados ou cedidos em comodato, tanto que só na gestão Orlando Pessuti se redescobriu o "Caetano Munhoz da Rocha" ocupado em parte pela Paranaprevidência.
A fome pantagruélica de espaços para abrigar mais de 30 secretarias e sua legião de aspones é marca do cenário de Lerner para cá. Tivéssemos um estadista, mormente com a crise financeira, a primeira providência seria uma lipoaspiração no aparato público que cresce na direção oposta a de Max Weber com a metástase burocrática, aquela que Hélio Beltrão tentou inutilmente debelar por duas vezes e não conseguiu.
Quando se concebeu o Centro Cívico, o primeiro do País, o prédio das secretarias era para ter 35 andares e por uma questão de custos acabou se transformando, pela metade, no Palácio da Justiça, hoje com um anexo de igual proporção, objeto de tanta suspeita. Hoje, nos critérios atuais, seria necessário fazer um novo Centro Cívico para atender a inútil e cara hipertrofia secretarial.
O Centro Cívico é o símbolo dessa cultura, documento vivo da dispersão e da prodigalidade a serviço das nossas práticas nada republicanas, expressão do patrimonialismo desembestado das nossas oligarquias.

Vistoria
O Crea vistoriou o elevador que caiu no centro e que estava com a manutenção em dia. Nunca se sai na frente nos desastres como o da arquibancada social do Couto Pereira que desabou ou de casos como o da explosão do silão no Porto.

Mediação
A Associação Comercial (que tem função na questão do crédito) poderia demandar em favor dos credores que não recebem seus haveres do governo. Nessas divididas não há espaço para diplomacia. No passado, Oscar Schrape, presidente, foi ameaçado de enquadramento na Lei de Segurança Nacional por ter recomendado que os contribuintes não pagassem seus impostos por não confiar no governo.

Psol
O candidato presidencial do Psol, senador Randolfo Rodrigues, andou ontem por Curitiba e mostrou ter potencial para o proselitismo: se transformar a sua resistência no Amapá a Sarney num referencial nacional pode surpreender.

Sinais
Alguns sinais positivos que favorecem o governo federal: chegamos a um recorde na permanência do trabalhador no mesmo emprego, três anos, no primeiro trimestre, indicador mais alto desde 2002. E houve recuo da inflação. Já no plano estadual as estatais se mostraram mais eficientes que o governo: Copel com lucro de R$ 583 milhões no primeiro trimestre (46% maior do que 2013) e Sanepar com lucro líquido de R$ 119,2 milhões (18,26% superior ao ano passado). Ganhos das estatais não cobrem o rombo, mas é evidência de que a descentralização nas indiretas funciona mais. O Estado é um paquiderme e as estatais, mesmo com suas distorções, são menos esclerosadas.

Folclore
O lulopetismo, na campanha de Dilma, usa o medo como técnica para persuadir o eleitor. Aqui no Paraná, em 1982, na primeira eleição governamental, a Arena fez uso da mesma arma e quebrou a cara. Um outdoor sugeria "Saul Raiz ou um salto no escuro". O MDB, aquele tempo com militância, botou uma vírgula depois do Raiz e riscou "ou". Lembro que havia um anúncio da Copel em que o sujeito estava no banheiro e a energia era cortada, tudo vinculado à pregação externa.
Como se sabe, Richa venceu, mas Saul era visivelmente mais preparado. A causa: ligação com o regime militar.

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