LUIZ GERALDO MAZZA
Fala, Vargas
Como se fosse um pesteado, André Vargas é o ex-petista mais detestado porque a cada um que abandonou a causa há um tratamento especial. Ele não pode ser acusado de adesão ao adversário, pois enquanto nada se sabia de sua ligação com Youssef era um "alinhado", um enquadrado, capaz daquele gesto diante do presidente do STF repetindo mensaleiros como Zé Dirceu.
Quando se assentaram as denúncias dos tratos com o doleiro iniciou-se um processo de "isolamento", aquele do portador de doença contagiosa, o pedido desesperado da cúpula do partido para que renunciasse, embora a sua postura de defensor dos mensaleiros em veemência não encontrada em outros partidários.
Essas coisas devem girar pela cabeça do deputado que retornou à Câmara Federal para defender-se. O empenho não apenas dos seus ex-correligionários como dos ligados à base aliada é para que suma, o quanto antes, do mapa já que os prejuízos se estendem à campanha não apenas da Gleisi Hoffmann no Paraná como também à da presidente Dilma que pleiteia a reeleição.
Como o que ocorre no Brasil isso pode ser tudo e também nada, mas a eventualidade de uma retaliação ao partido não é afastada porque operaria como uma fala das vísceras. O abraço do afogado é uma hipótese, outra a de acerto intramuros para uma saída sem traumas. Até lá haja distonia neurovegetativa, suores nas mãos e taquicardia.
Sua defesa pode ser uma carta testamento sem sangue de outro Vargas em outra contingência político-partidária de impacto menor, mas traumática.
Delegados
Beto Richa prometeu 75 novos delegados concursados, mas há no disparo mais de 80 casos de aposentadoria. Fala-se até em 99. Outra coisa, as promoções nos vários níveis que têm sido oficializadas não estão sendo pagas. Há casos de espera de um ano. Junte-se a isso os casos de delegados e auxiliares afastados por desvio de conduta e sob investigação e ver-se-á o quanto o efetivo está abalado.
Cheida
O Tribunal de Justiça condenou Luis Eduardo Cheida por improbidade quando no exercício da Prefeitura de Londrina com a pena acessória de perda de direitos políticos. Nessa época era do PT e outro da mesma legenda, alvo também de processos semelhantes, foi Nedson Micheletti. Curioso é que ideologicamente, um e outro, eram o anverso de Antonio Belinati.
Punições do gênero são frequentes em Londrina, pois em Curitiba a sociedade cartorial entra na mediação e bloqueia. Vide os 15 anos de presidente da Câmara do Luis Claudio Derosso, só interrompidos com uma pisada na bola fora do comum e de forte repercussão em gastos, dele e da mulher, em propaganda.
Vertical
Volta e meia se fala no transporte vertical de Curitiba por elevadores e na necessidade de fiscalização forte para apurar suas condições de segurança. Ontem caiu um no centro da cidade com dez pessoas, cinco feridas sem maior gravidade. Uma das distorções é a de transformar escalas residenciais em escritórios e repartições públicas com a sobrecarga do sistema.
Absurdo
Bem na frente do QG da Guarda Municipal na Capital, num posto de gasolina abandonado, funciona, a todo vapor, um cracódromo.
Folclore
Comparação inadequada foi a feita entre a crise de água em São Paulo e o estouro do modelo de gestão financeira no Paraná, obra dos dois últimos governos, em que o dinheiro sumiu. Lá na Cantareira pelo menos existe o "volume morto", ora em exploração; aqui não sobrou nem o cofrinho de cerâmica em forma de porquinho dos tempos da poupança Banestado.





