LUIZ GERALDO MAZZA
Vexame crônico
E aos poucos vão se revelando os casos de inadimplência do governo além daqueles R$ 1,1 bilhão, já programados em parcelas elásticas, aos seus fornecedores e prestadores de serviço. Mesmo nas penitenciárias, ora tão enfocadas na jogada teatral da transferência dos presos das carceragens, sabe-se que fornecedores estão em pânico ao examinarem as contas atrasadas e as soluções sugeridas, tanto que só agora receberam faturas relativas a dezembro e não sabem quando terão a grana do primeiro quadrimestre. Muitos se encontram já em situação aflitiva e com dificuldades óbvias para obter crédito. Centenas de obras em andamento estão paradas e as projetadas, como reforma de colégios, ficam para quando Deus quiser. Há situações constrangedoras como a ameaça de locadores de prédios de entrarem com pedido de despejo, o que já vinha ocorrendo em setores da Segurança e agora alcançam unidades da Polícia Militar. A anomalia se transmite a todo mercado, alcançando uma capilaridade que vai a todos os cantos do Paraná.
A quase certeza da reeleição, ao menos nas indicações das pesquisas até aqui processadas, é a garantia oferecida não apenas aos que negociam com o Estado como os que operam na área política e na retribuição de obras e serviços. É uma ironia ver um governo quebrado oferecer tal tipo de seguro quando tem as maiores dificuldades para fechar seus gastos com pessoal e despesas de custeio não adiáveis como as de material permanente e de consumo. O pânico virá quando for vetado o cafezinho. Será o juízo final ou talvez o juízo, afinal.
Isso não atrapalha o ritmo de negócios, tanto que o destravamento do "Tudo Aqui" pelo Tribunal de Contas animou as clientelas, demonstrando que não só obras asseguram o ritmo das operações comerciais: ser e estar governo é sinal de segurança.
Um pêndulo
Ontem a greve da polícia civil, hoje a dos agentes penitenciários: como pouco tem da sabedoria de Salomão, para acomodar demandas em conflito sabidamente na direção contrária ao "remendo" da transferência dos presos em todo o Paraná, o governo tenta sugerir às partes que ouve os dois lados. Como politicamente a polícia civil tem mais poder de fogo, inclusive político-eleitoral, submete-se ao risco de levar às penitenciárias o caos das cadeias com a bomba estourando no lado mais fraco, o dos trabalhadores dos presídios.
Plebiscito
Um fórum de organizações sociais apreciou ontem em encontro a realização de um plebiscito entre os dias 1º e sete de setembro. Normalmente na semana da Pátria, aqui, especialmente, era tempo de invasões urbanas. Como até lá já estaremos distante do clima da Copa, mas ainda em campanha eleitoral, a ideia de um plebiscito para unir a plataforma dos movimentos sociais é uma boa e ao menos adequada ao momento nacional que reclama engajamento. Urge unificar para que as coisas não fiquem dispersas como em junho do ano passado. Difícil será restabelecer as coisas com aquela espontaneidade.
Minirrebelião
Apesar da greve da polícia civil deu para dissuadir uma tentativa de fuga de 17 presos ontem na delegacia de Campina Grande do Sul.
Delegacia ambulante
O ônibus do Ministério da Justiça que operará como delegacia móvel de atenção ao futebol e grandes eventos foi exibido ontem.
Vistoria
Uma vistoria nas obras novelescas da Rodoferroviária leva à necessidade de fazer o mesmo em outras de mobilidade urbana como Avenida das Torres, Linha Verde, terminal de Santa Cândida.
Folclore
Muitos candidatos aos governos estaduais e federal viram naquele anúncio que recomenda "Faça mais, prometa menos" um julgamento moral das campanhas, algo que dificilmente atenderão, já que é mais fácil prometer do que fazer.
Truísmo
Para muitos a revelação do Ministério de Turismo de que Curitiba será a praça da Copa a obter menos retornos (R$ 297 milhões) se ajusta a sondagem da Paraná Pesquisas que mostrou maioria contra o evento.





