LUIZ GERALDO MAZZA
Moratória ao provisório
O exemplo mais forte na administração estadual de provisoriedade é o caso das prisões em delegacias. Como duas embarcações que disputam uma regata e na mesma equipe, as secretarias de Segurança e de Justiça adotam rumos diversos: esta procura representar o permanente no funcionamento das penitenciárias e aquela expressa o que há de mais emergencial. E porque expressam destinos diversos, dificilmente hão de encontrar um ponto de simetria e de ajuste como se vivessem um permanente conflito.
O pior para o sistema de carceragem que nenhuma outra atividade define tão fortemente a violação de direitos humanos em ambientes superlotados e bastante distanciados de qualquer visão de reintegração social pelo estudo e trabalho, duas incompatibilidades absolutas com o cenário a que são lançados, tanto nas delegacias quanto nas penitenciárias.
Depois dessas ocorrências do fim de semana em Colombo não se poderia esperar outra coisa do que a postura adotada pelo sindicato de policiais que faz greve de 24 horas a partir de hoje e examina, na assembleia de quarta-feira, se a transformam em permanente. Também nesse dia os agentes penitenciários decidem sua greve e o tempo da operação.
Com as dificuldades criadas pela destruição do modelo de gestão fiscal, obra do atual governo e do seu antecessor, o sentido da provisoriedade é a marca-estigma da administração, não se dá solução às demandas, deixando-as a meio caminho como se vê na questão do professorado nos penduricalhos de situações mal decididas em cima de greves: atrasados não pagos por promoções e casos de ascensão. Isso se dá com várias categorias como a dos policiais, a dos agentes penitenciários, a do pessoal de nível técnico, a da quebra da isonomia entre ganhos da hierarquia policial civil e oficiais da PM. Criou para si mesmo o governo um terreno minado a exigir sapadores para desarmá-lo e o pior é que tudo isso se dá em tempo de campanha eleitoral com nervos à flor da pele.
Inflação
Tanto o Paraná como sua capital têm apresentado bons resultados em termos de inflação e PIB relativamente às médias nacionais. Tinham. Porque os últimos registros são negativos como o da inflação em Curitiba de 0,88% em abril, terceira maior do País, atrás só de Porto Alegre e Fortaleza. Em 12 meses, a inflação chegou a 6,63% acima da meta oficial dos 6,5%.
A Fundação Getúlio Vargas apurou que o interior brasileiro emprega mais do que os centros metropolitanos, razão pela qual não haverá perdas com as amostragens mais densas, mais de 3 mil municípios, que tanto temia o governo que brecou no IBGE a pesquisa domiciliar contínua, agora liberada.
Mais rebelião
Tentativa de fuga de presos no 11º Distrito, Cidade Industrial, levou à remoção dos detidos para reforma emergencial das instalações. Emergencial como em quase tudo. Ao filósofo bastaria dizer como a vida tudo é provisório.
Museus
Estamos na semana dos museus, boa oportunidade para ver como andam os nossos: um deles, por instalar, o geológico do Parque de Vila Velha, sempre adiado.
Ir e vir
Barreiras formadas pela Fifa no entorno da Arena da Baixada podem cair no Judiciário pela evidência da supressão de direitos como o de ir e vir. Mas já se cadastraram ocupantes de 20 mil domicílios no estado de sítio.
Folclore
Times paranaenses foram mal na rodada. Só resta agora o presidente coxa não aprovar como presidente da delegação brasileira porque no seu time não está indo nada bem há bastante tempo.
Cromo
Dilma vai de verde na Arena da Baixada. Para espantar fanatismos cuidaram de por em seus ombros um manto rubro-negro, pois o verde é coxa, embora seja o símbolo do Paraná também.





