Uma só candidatura

Para valer, na hipótese da candidatura própria no PMDB, só há uma: a do senador Roberto Requião. O resto é xaveco e encenação, isso porque a outra alternativa, a do Orlando Pessuti, não pode ser tida como séria por absoluta falta de consistência eleitoral e, ainda por cima, vincular-se ao governo federal o que lhe retira espaços de autonomia.

Pessuti tem tudo para repetir o fenômeno de Cristiano Machado da eleição de 1950: ele gerou o verbo ''cristianizar'' quando o PSD ao perceber que seria inevitável o apoio a Getúlio Vargas para manter-se no poder isolou o seu candidato. Ora a facção richista, que não é pequena, descarregaria seus votos no PSDB e deixaria o Orlando na mão sem força para gerar segundo turno.

O estilo desagregador do maior eleitor do PMDB (nem todos juntos o superam como força eleitoral), embora dificulte o senso clânico do grupo, não reduz em nada o seu potencial, especialmente na sua articulação verbal, uma das fortes do país, pobre, muito pobre, nesse talento.

Solução Beto

Se a opção majoritária for pelo apoio à reeleição de Beto Richa, um dos piores governos da nossa história recente, ela terá mais lógica do que a alternativa Pessuti, pois ao menos têm capilaridade nas bases municipais, razão do desesperado empenho para manter feudos dos adesistas.

Já a escolha de Requião teria sentido mais autonomista para reforçar bases do PMDB e sustentar a sua condição de partido-chave e dominante da aliança nas suas neuróticas relações com o PT. Nesse particular infringir uma derrota ao PT, mesmo que gerasse ressentimentos, seria fator importante para alijar o PSDB de um bastião estratégico no país. Em cada espaço em que o PMDB derrubasse o PT aumentaria o seu ''charme'' como aliado nacional.

Tem sido uma estratégia repetitiva do PMDB a de afastar, em primeiro turno, o candidato com maior chance de vitória, o que hoje ocorre com Beto Richa como se deu com seu pai, José Richa, na primeira eleição de Requião, aquela do ''Ferreirinha'', um dos maiores estelionatos eleitorais do Paraná.

Um dos grandes erros da justiça eleitoral foi, na ânsia de cassar Requião, e por unanimidade, de não ter feito sequer a citação do vice Mário Pereira (na condição de litisconsorte necessário) o que acabou facilitando recursos e a procrastinação que levou a demanda à perda de objeto por ter se tornado inútil já que o mandato foi exercido na plenitude. Perdeu-se a oportunidade de ação reparadora e de sentido pedagógico para todo o país.

Tirar Richa

Como na primeira eleição de Requião a de agora seguiria o mesmo itinerário: bater fortemente em Beto, explorando a crise financeira e a falta de obras marcantes, e tirá-lo da disputa do segundo turno. Com as postulações de Requião e Gleisi haveria condições até de algum ''fair play'' pela ligação notória do PMDB com o aliado petista nacionalmente. Aí a luta seria pelos votos tucanos com os quais, apesar das divergências do momento, pesaria uma questão de raiz e de origem, pois o PSDB não passa de um PMDB arrependido, como se vê nessa aproximação da bancada estadual com o governo pretendendo o desequilíbrio.

Mesmo considerando todos os defeitos de Requião, uma candidatura própria restabeleceria o vigor e a vitalidade nas bases partidárias o que tenderia a contrastar com a acomodação desejada pelos realistas e pragmáticos. O PMDB reviveria como nos seus melhores momentos, inclusive ao do MDB de guerra ao qual Roberto Requião jamais pertenceu, embora insista na citação.

Sem graça

Uma vitória com Beto Richa seria interessante apenas aos deputados estaduais que se precipitaram na adesão. Carregar às costas um mau governo, com as suas finanças estouradas em consequência da destruição do modelo de gestão fiscal, exigiria arte demais dos adeptos. Já uma proposta de guerra, de conflito, o que só seria possível com o senador, pessoa adequada a esse estilo de combate, reenergizaria o partido, como se tivesse renascido. Um choque entre Beto Richa e Requião seria também válido para ver quem dos dois mais contribuiu para a crise atual de inadimplência generalizada e o desespero dos credores.

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