Menos promessas
Há um "teaser" publicitário muito badalado agora, talvez com um sutil aproveitamento do clima eleitoral, que aconselha "faça mais, prometa menos". No governo paranaense, em função da liberação de parte dos empréstimos e de repasses, até então bloqueados por nosso contumaz desprezo à LFR, Lei de Responsabilidade Fiscal, em gastos com pessoal e investimentos em saúde, aqueles demais e estes de menos, as promessas de pagamentos de créditos a empreiteiras e prestadoras de serviço se valem da expectativa da saída da grana para acertar a omissão estadual como a daqueles credores dos R$ 1,1 bilhão desolados na fila.
É por aí que se percebe a inconveniência da mentira: não há segurança de quando os R$ 817 milhões do Proinvest cairão no cofre estadual vazio como barriga de penitente em romaria. No fundo, esse atraso serve de moratória para o governo: em primeiro lugar cria o clima de paranoia de uma suposta perseguição federal e com isso empurra com a barriga também aí as obrigações e, como se habitua em dar cano, em dar chapéu nos credores como uma liturgia, permanece na postura acomodada de aguardar que os fatos se autometabolizem.
Não há como fazer mais e prometer menos para quem não tem uma só obra que marque a sua passagem, a não ser o misterioso convívio com as consorciadas do pedágio, as mais nutridas. Ney Braga integrou o Paraná fisicamente com recursos públicos, Paulo Pimentel fez o mesmo e carimbou-os com a logomarca da esfera verde e assim se deu com tantos outros, mesmo os do PMDB, que marcaram o fim dessa sequência lógica e deixaram herança, como a da Usina de Segredo com Richa, sua continuidade com Alvaro Dias e a ferrovia Guarapuava-Cascavel de Requião. Tirando o rolo secretíssimo do pedágio, o que deixa Beto Richa além da destruição do modelo de gestão financeira? E é preciso esconder tudo das negociações do pedágio, mesmo depois do alerta judicial, tanto que a base aliada nega até um relato do DER sobre os misteriosos aditivos que a oposição deseja conhecer da mesma forma que a justiça em Jacarezinho.

Para o futuro
Para quem se alinha na promessa, e o faz com convicção, não é difícil sugerir que tudo o que deixou de ser feito agora o será certamente na reeleição. Quer dizer promessa acumulada para quem não pode fazer, já que mergulhado numa atmosfera de ócio, dissimulada no clima de lua de mel que imanta o governo ainda mais com as pesquisas lhe assegurando a dianteira folgada. Percebe-se nas reuniões de governo o cenho franzido dos preocupados com os limites da receitas rompidos, como uma barragem de Itaipu, pela hipertrofia das despesa? Não. O triunfalismo é visível nas celebrações em restaurantes e com ela a noção da inconsciência da gravidade da situação como se para isso houvesse permanente moratória.
Um jornalista mostrou que o total dessas esperadas transferências de recursos federais (que deverão ser pagos lá na frente, juntando-se a dispêndios como o do saneamento do Banestado em bilhões) representariam cerca de R$ 3 bilhões que não chegariam a 3% do arrecadado em quatro anos, total de R$ 140 bi, tudo mostrando o desmanche do modelo financeiro que o Paraná cultuou ao longo do tempo e que garantiu o equilíbrio nas contas, hoje visivelmente rompido.
O pior é que a forma como cultuou nos meios de comunicação a suposta e irada perseguição federal, na qual aponta os ministros marido e mulher como as figuras centrais, vai se transformar no tema eleitoral, por mais visível que fique assentada a incompetência gerencial nos gastos em relação às despesas.
O réu transformado em promotor é algo que só a nossa vocação para o realismo fantástico poderia engendrar: o culpado por afundar as finanças públicas adota a postura cumulativa de juiz e carrasco. O senso ético do governo é nítido no caso do Ezequias, aquele que pegava a grana da sogra fantasma: em lugar de colocá-lo no ostracismo pela falta, o promoveu e, ainda por cima, assegurou-lhe ao nomeá-lo para uma pasta com status secretarial o foro privilegiado e com isso evitar que fosse julgado ainda na primeira instância.

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