LUIZ GERALDO MAZZA
Sem resposta
É ridículo ouvir tanto político falar em transparência: quanto mais ocultam maior é a referência à abertura dos arquivos. A resistência da bancada oficial na Assembleia em aprovar um simples requerimento ao DER para que exiba todos aditivos até aqui celebrados no pedágio é prova disso. Como se já não bastasse o que disse a Justiça Federal sobre o tema, percebemos a farsa da maioria (o que lembra também a história federal das duas CPIs, a da Petrobras e dos metrôs), dando a entender que a situação é que protege a verdade nessas ocasiões.
A criação de portais de transparência, que na verdade não funcionam, é prova da hipocrisia. O pior é que com suas justificativas, que nada esclarecem, os governantes insistem que nada escondem. Parte desses R$ 817 milhões do Proinvest já se sabe que drenam para as áreas operativas das consorciadas do pedágio, quando nada se sabe como serão remuneradas por obras de duplicação em andamento, se em decorrência do pedágio ou se por investimentos extras.
Também o governo municipal, embora alguns feitos como o da devassa na questão das empresas de ônibus e a abertura das novas placas de táxis, até agora nada disse de uma interpelação séria feita pelos dirigentes do Conselho Regional de Engenharia e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de que no sistema do metrô (que a presidente Dilma Rousseff vem aí para ratificar) os poderes da autoridade pública são transferidos todos ao consórcio encarregado da obra, num caso não de abertura, mas de arrombamento. E é bom que se conheça isso em detalhes antes do ato liberatório dos recursos.
Curitiba na mídia
Antes, quando havia referência sobre Curitiba na mídia internacional, era para louvá-la, enaltecê-la como matriz de modelos, Até isso mudou: anteontem na edição do "Washington Post" o repórter Dom Philips, diretamente da capital paranaense, escracha a organização da Copa do Mundo e faz abordagens severas sobre as deficiências da Arena da Baixada, entre as quais o setor de imprensa, colocado em instalações provisórias.
Beto Richa no "Roda Viva" já tinha dito que hoje não aprovaria qualquer tipo de participação na Copa. No tempo da anuência ele estava em transição de prefeito para governador e também celebrou o oba-oba.
De Lerner a Fruet, passando por Beto-Ducci, há um longo itinerário.
Selvageria
Nada menos de 325 ônibus foram depredados ontem nas convulsões no Rio que logo abrigará a Copa e, mais tarde, os Jogos Olímpicos. A forma selvagem como o nosso povo está agindo revela marcha acelerada para a incivilidade e isso está patente em linchamentos ou tentativas de justiçamento e em cenas como a do lançamento do vaso sanitário que matou um torcedor em Recife.
Se esse "background" contaminar a disputa eleitoral e isso sem falar na Copa (alvo possível de ataques, como já se espera em função da crise e da incompatibilidade dos estádios faraônicos num país ruim de saúde, educação e segurança), caminharemos para a anomia generalizada, falta de referenciais institucionais para a reversão. Basta uma oscilação mínima que seja no quadro da economia, o nível de emprego por exemplo (até aqui a salvaguarda do "modelo" do consumo e mercado interno) e podemos esperar por tudo.
Outro vexame
Campinas deve receber 40 mil turistas e hospeda quatro seleções em função da Copa e está com um surto de dengue com dimensões paulistanas com mais de 17 mil casos. Dá para imaginar o pior: um craque mito atacado pelo mosquito. Morador do Jardim Botânico em Curitiba, nosso cartão postal, pegou dengue, autóctone.
Folclore
Daniel Alves ao comer a banana que lhe atiraram mostrou "fair play", uma das maiores carências do momento e que pode lá frente fazer falta em nossas práticas políticas. No auge da carga de Carlos Lacerda como deputado contra Vargas, um adversário aparteou "Vossa Excelência é um purgante!" Resposta "E Vossa Excelência é certamente o efeito." Fair play de ataque.





