Ronda viva
O governador Beto Richa deveria estar ontem no "Roda Viva", programa que favorece personagens com jeito de artista de cinema. Aliás os feios que nos perdoem, mas há uma vantagem sempre para aqueles que têm jeito de mocinho, mesmo quando envelhecidos como Roberto Requião e Alvaro Dias. O cinema reabilitou o feio com a genialidade de Jean Luc Godard em transformar o ator Jean Paul Belmondo numa estranha versão de anti-herói no filme "Os acossados". Humphrey Bogard nunca foi um exemplo de estética, mas era a simpatia em cena, adorado pelas mulheres e postura masculina, o machão elegante, em quem os imitadores se inspiravam até pelo ritual de fumar que deve tê-los levado, no mínimo, ao enfisema pulmonar, o que não os impedia de sucesso com as minas.
Discute-se muito isso, se o viés de mocinho é fator relevante no sucesso eleitoral: nesse ponto, os candidatos da oposição nacional levam a melhor, o que não garante coisa alguma. A imagem do fazedor levou Lerner, mais do que seus dotes estéticos, várias vezes à prefeitura e duas ao governo. Quando da primeira redemocratização do País o opositor de Getúlio Vargas, rei da empatia, era o brigadeiro Eduardo Gomes, herói dos 18 do Forte de Copacabana, apresentado nos bordões populares em forma de verso "brigadeiro, brigadeiro é bonito e é solteiro", cultuado obviamente pelas mulheres e pelos bambis da época.
Se nos filmes é indispensável colocar Bela Lugosi e Vincente Price numa trama de terror, na política, o dado da formosura do candidato favorece alguém como o Beto Richa, que seria demais imaginá-lo um intelectual com aquelas frases que parecem vir de um teleprompter e ajustáveis a um conselheiro Acácio de Eça de Queirós, a repetir obviedades. Mas de qualquer forma valeu. Precisamos muito de presença, apesar dos nossos três ministros referidos sutilmente, como sempre, pelo governador.

Um alerta
Mais do que o vaso sanitário atirado contra a prefeitura da Capital, o manifesto assinado pelos presidentes do Creai e do Centro de Arquitetura e Urbanismo, Joel Kruger e Jeferson Dantas Navolar, em relação ao metrô e à forma como se pretende entregá-lo, como a uma Fifa, a uma coordenadoria com o município tornado leigo na matéria em foco. O vaso foi uma grosseria indesculpável em qualquer circunstância, mas a privatização é um risco, no entender de gente séria, no novo modal de transporte anestesiado pelo oba oba que lembra a sagração do passado às fontes luminosas no interior.

Crise
Quem se rebela agora, e com sobras de razão, é a Polícia Militar, que tinha um sistema de isonomia com a polícia civil relativamente aos salários dos delegados, que agora se acham distanciados. No conformismo com que culpa a União por sua incompetência gerencial, esquece o governo que a cada mês dá mostras do descontrole. Tanto que dias passados, a Carteira de Fomento justificou o atraso em parcela devida ao Atlético Paranaense aos cumulativos dispêndios da pasta fazendária com salários de servidores e dinheiro de credores, isso é o fluxo normal do caixa abalado de todo fim de mês.
Para completar o quadro, um informe do Tribunal de Contas sugere que o Executivo, apesar da encenação do Caixa Único, não está repassando recursos dos diversos fundos.
No plano nacional casos de corrupção criam uma hemorragia, aqui a questão é, visivelmente, de disenteria.

Folclore
Um odor de produto queimado tomou conta da Grande Curitiba com o incêndio de um depósito de reciclagem de plástico e fibras de vidro em Colombo. Em função da direção dos ventos, o fenômeno abrangeu a Capital e cidades próximas. Pelo menos, nesse momento, com alguma chuva, o centro fica livre do odor fétido dos boeiros e bocas-de-lobo, uma pestilência infernal, que nem toneladas de perfume neutralizariam, o que não ajuda o merchandising silencioso de uma de nossas indústrias de expressão nacional e mundial.

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