LUIZ GERALDO MAZZA
Confiar, desconfiando
Professores suspenderam a greve, mas mantêm o estado de beligerância que pode ser o de nova e mais vigorosa parede, bastando para eclodi-la que itens do acordo, como já se deu anteriormente, não sejam cumpridos. Como o atraso do saldo de promoções e progressões em mais de R$ 100 milhões, há um ano e meio, fica claro que na penúltima mobilização com passeata e tudo mais, o governo driblou o professorado nesse item, razão pela qual a rapaziada se mantém de atalaia.
Como o governo se acha enrolado em outros tantos compromissos e pendentes a um cronograma elástico, a vigília é impositiva, prova de que a credibilidade do governo só funciona em pesquisa eleitoral.
Recorre
Apesar de muitos dos indiciados, já cumprindo sentenças, nos processos de fantasmices da Assembleia só foi confirmada, anteontem, a condenação de Abib Miguel, o Bibinho, a 18 anos de prisão pela 9ª Vara Criminal de Curitiba. Em atos anteriores no mesmo caso foram indiciados também os deputados Nelson Justus e Alexandre Curi. Seria inadmissível que membros das comissões executivas não tivessem um mínimo de responsabilidade com o que ocorreu ao longo do período analisado, isso sem falar naquele outro processo ainda na Justiça Federal que aprecia o caso dos gafanhotos, que tem todo o jeito de ter sido o embrião da maracutaia.
Há pessoas com mais recursos que justamente são mais eficientes quando recorrem nos processos em que são indiciados ou condenados.
Copel
Uma das três distribuidoras de energia, afetada pela escassez, foi justamente a Copel que aparece logo atrás da Eletropaulo (SP) e Light (RJ). A empresa paranaense recebeu a primeira parcela de 447,3 milhões em empréstimo e obterá mais dois nos dias 12 de maio e 9 de junho. Como se vê a propalada discriminação contra o Paraná é seletiva, tanto que se trata de uma das unidades mais bem atendidas pelo BNDES em empréstimos e investimentos.
Opaco
No caso dos pedágios ficou demonstrado que negociadores de acertos contratuais agem como uma espécie de Ku-Klux-Klan, tudo no ritual dos capuzes escuros. A Justiça Federal, em Jacarezinho, impede o governo de firmar aditivos sem divulgá-los no Diário Oficial, pactos secretos. Quanto mais o governo fala em transparência migra do translúcido ao opaco. Uma vergonha, pois o público não tem o mínimo acesso a essas informações, conquanto o Palácio Iguaçu afirme que age em consonância com o Tribunal de Contas da União. Mas a bancada unida se mantém em postura servil, impedindo a convocação do Pepe Richa e do diretor do DER. Passar por cima dos direitos da minoria é ditadura. É que eles sabem que a revelação é perturbadora.
Nem centavos
A crise financeira do Paraná é perceptível em todos os frontes: o não pagamento de credores, o atraso nas promoções e progressões (obrigando servidores a irem ao Judiciário para a percepção de atrasados, depois transformados em precatórios) e em coisas bem mesquinhas como as diárias. A força-tarefa da polícia civil que tenta acertar os 5.000 inquéritos sem andamento em Fazenda Rio Grande não está recebendo as diárias de R$ 57 a que teria direito. Quer dizer: são obrigados a pagar por sua alimentação. O governo deve estar guardando dinheiro no porquinho de cerâmica.
Folclore
O secretário de Educação, Paulo Schmidt, achava que fazia parte do acordo com o governo a retomada das aulas ontem, o que não aconteceu e nem surpreende. Boa parte do professorado queria a continuidade da greve por não confiar que o governo cumpra todos os itens acertados. Um setor mais radical tem tanta certeza de que a greve será retomada que pretendia continuá-la à exaustão.





