Cueca e calcinha
Pelo jeito a corrupção no sistema atual criou modelos operacionais: tivemos o caso do petista com a cueca cheia de dólares e agora o de uma doleira levando 200 mil euros na calcinha, presa com mais oito colegas na Operação Lava Jato, no aeroporto de Guarulhos pela Polícia Federal.
Agora, conforme reportagem de ontem desta FOLHA, há suspeita de que o cérebro de todas essas artimanhas, o doleiro Alberto Youssef, tenha empregado os mesmos critérios de desvio de recursos, aplicados na Refinaria Abreu e Lima na nossa, a Presidente Vargas em Araucária. Aliás o Tribunal de Contas da União apontou anomalias em sete dos 19 contratos firmados em 2009 pela Repar e cujos sobrepreços poderiam chegar a R$ 1,4 bilhão.
No Paraná Youssef esteve presente em escândalos do governo Lerner: o chuncho Copel-Olvepar a custos atualizados de R$ 250 milhões e no maior de todos, o do derrame CC5-Banestado, estimado em mais de US$ 20 bilhões, e ainda num da AMA-Comurb, de Londrina, que ajudou na cassação do prefeito Antonio Belinati. O Paraná segue com forte presença no mapa da corrupção, apesar desse jeitinho que ostenta de introvertido, meio encabulado, como se agisse por descuido.

Mínimo regional
Uma das consequências da adoção do mínimo regional é o de que venha a servir como referencial em demandas salariais. Assim o reajuste assumido pelo Paraná de 7,34%, em trâmite no Legislativo, é agora apontado por professores e o funcionalismo em geral como parâmetro para o aumento dos barnabés na data-base de amanhã, 1º de Maio.
Se os 6,06% colocados anteriormente decorriam de rigorosa apreciação econométrica sofrem agora a influência do mínimo regional que serve de oba oba para o oficialismo mostrar-se generoso com sindicatos menos protegidos. É mais um caso de justiça poética.

Tacada
Delegacia famosa, por ser uma das panelas de pressão do sistema, a do Alto Maracanã em Colombo (caso da menina Tayná Adriane da Silva até hoje sem solução num episódio de incompetência larvar) teve a prisão do superintendente na semana passada e agora de mais dois investigadores em ação do Gaeco. Eles, os "tiras", vendiam proteção ao comércio. É por essas e por outras que se pretendia, pela PEC 37, acabar com a investigação por parte do Ministério Público, apoiada pela OAB.

Lula já
Com a resistência do PR, por parte da maioria dos seus integrantes, favoráveis à candidatura Lula diante dos desgaste de Dilma Rousseff (voltou a perder pontos em pesquisa nacional), há quem pense numa retomada de um jingle não do Lula lá, mas do Lula já. Essa fala no exterior de que o mensalão foi 80% político e 20% jurídico tem o rompante de pregação eleitoral, de ponta pé no pau da barraca, soco na mesa, bravata de palanque, perdão dos pecados.

Folclore
Um dos mais decepcionados com a notícia de que o governo estaria estudando dar mais dinheiro às pedagiadas serviu de motivo de gozação em cima do deputado Luiz Claudio Romanelli que ficou famoso pelo ato infantil de derrubar a cerca da praça de pedágio e do qual foi absolvido pelo governo que então servia, o de Roberto Requião.

Esperança
Os acordos assinados pela Renault e agora pela Volvo, no Paraná Competitivo, vão além de colocar bem o governo paranaense na atração de investimentos pelo fato de ocorrer num mau momento do mercado automotivo e por isso mesmo dando um sinal de crença no futuro e na recuperação. Bola pra frente.

Boletim
No boletim da greve, os professores merecem 10, mas na avaliação dos seus feitos na educação aparecem mal no ranking nacional. Ao revés do que se dá com os seus colegas de Curitiba que aparecem nos primeiros lugares do país, embora ganhem muito menos como Fruet está cansado de saber.

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