LUIZ GERALDO MAZZA
Nenhuma curiosidade
Mesmo com os sinais de recessão, não chocantes mas expressivos, voltou o Legislativo paranaense a aprovar o salário mínimo regional, normalmente, o que já beira o absurdo, maior do que São Paulo. Esse desligamento da realidade não é só deles, mas também de um governo que praticamente aboliu o planejamento e com ele as técnicas de detecção da realidade conjuntural.
Claro que uma coisa é lidar com mínimo regional e fazer cortesia com o chapéu alheio, já que quem o pagará será o empresariado, e outra é atender demandas como essa em cima de uma greve dos professores. Porque aí é que reina mais improviso e maior desconhecimento de programação financeira, tantas as vantagens que se concederam à categoria, uma das mais bem remuneradas do País, enquanto a maioria chupa o dedo e que o torna mais aguda nas reivindicações e faz do poder público um refém de operações sabidamente exitosas.
Por falta de recursos para pesquisas de emprego, que eram aceitas nacionalmente, o Ipardes se viu obrigado a aboli-las e esse seria referencial para fundamentar, por analogia, a questão do salário mínimo regional. Foi, aliás, em função da Pesquisa por Domicílio Familiar Contínua que estourou a crise entre o governo e o IBGE, com aquele proibindo a divulgação do último levantamento para não deixar mal o sistema em ano eleitoral, já que o universo analisado é mais detalhado e com possíveis indicações de alta no desemprego.
Na verdade reside aí a grande preocupação, já que o nível de emprego tem garantido o sucesso parcial da política de consumo e da aposta declarada no potencial do mercado interno. Já houve, mesmo com as metodologias de praxe, uma indicação discreta de queda no mercado de trabalho. Não há pronto socorro imaginável para a crise automotiva com estoques em pátios de concessionárias e montadoras e programas de demissões ou afastamento temporário. Curitiba e sua região metropolitana são testemunhas disso.
Modelos diversos
O atual secretário estadual da Fazenda, Luis Eduardo Sebastiani, já esteve no comando fazendário da prefeitura da Capital e se deu muito bem porque o modelo de gestão foi mantido ao longo do tempo, tanto que um dos feitos marcantes é o percentual de gastos com pessoal estar longe de alcançar tetos como o da administração estadual, inteiramente fora de controle. Menos político do que seu antecessor, o deputado Luiz Carlos Hauly, pode até recuperar a racionalidade, nunca porém em curto prazo.
Elegância
Elegância recíproca de agentes interessados (governo, Tribunal de Justiça e Caixa Econômica Federal) na varredura dos depósitos judiciais não tributários não deixa claro o avanço indevido pelo governo, pois até abril chegava a R$ 4,8 milhões. A OAB, felizmente, está de olho.
Pedágio
Acusado de dar mais dinheiro a algumas concessionárias do pedágio e de cobrar algum de outras, o governo estadual disse que nada havia de novo e persiste mantendo a caixa preta do sistema. Resumo: uma viagem de Curitiba a Belo Horizonte dá R$ 22,80 e da Capital a Foz do Iguaçu R$ 83,40. Tem sentido?
Pesquisa
No PMDB há pesquisas conflitantes sobre alianças: a dos situacionistas, isso é a favor do Beto fica, dá como "barbada" por 49% a 23% de Requião e 16% de Pessuti; sem Pessuti o governador faria 59,4% contra 26,3% do senador. Requião confia na força dos pequenos municípios que o salvaram no Senado.
Folclore
Vereadores da Capital exigem paletó e gravata.
Sem restrição a cueca e sunga.





