LUIZ GERALDO MAZZA
Raio-X necessário
O episódio do policial que algemou a namorada e a matou a tiros estabelece, por seu significado, num bairro central da Capital, a necessidade de um raio-X na ocorrência para captar o que há de falho na própria corporação ao permitir que um servidor da burocracia valha-se das armas do Estado para um destempero e uma loucura dessa ordem. Informar que havia procedimento na Corregedoria contra falhas disciplinares não clareia toda a abrangência do evento e revela fragilidades institucionais: se não era um operacional o uso da arma e da algema, que são monopólio do Estado, não se ajustava à persona do agente.
Nessas horas jorram as explicações e um hierarca da PM declarou que muitos dos barrados em exames psicotécnicos pela circunstância de passarem nos concursos acabam beneficiados por liminares em mandado de segurança com o que se pretende dividir responsabilidades com o Poder Judiciário. Aliás não são poucos os casos de magistrados em que também em meio à carreira se apura desvio grave de personalidade e casos até de loucura.
Tanto a polícia civil quanto a militar - e os episódios do Rio de Janeiro que botam em xeque a eficiência das unidades de polícia pacificadora como se viu no caso Amarildo e agora no do bailarino Douglas Rafael - possuem dependências próprias para essa avaliação, dentre elas o setor psicossocial que trata dos numerosos casos de alcoólatras e de toxicômanos e de outras patologias como de resto os temos em outros setores da área pública, inclusive nas gigantes estatais.
Cada ato da polícia judiciária, da eficiência ou do desvio de conduta, deveria obrigatoriamente ser submetido à avaliação adequada para a construção de uma cultura, o quanto possível, preventiva de tais ocorrências.
Viral
Um caso de viral na internet em relação a um bar, Phoenix American, por mau atendimento, rendeu uma convocação para sábado de rolezinho no bistrô para o qual já se comprometeram seis mil internautas. Isso dá bem a ideia da força das redes sociais e obrigará o dono do bar a reforçar segurança ou fechar temporariamente as portas.
Só com o tempo teremos formas adequadas do emprego das novas tecnologias como resultante do processo civilizatório. Exageros como os dos milhares de nautas que quase detonaram a Praça de Espanha mostram os efeitos perversos.
É, sem dúvida, um lado selvagem da democracia direta.
Mais enquadramento
Alberto Youssef e seus companheiros foram agora enquadrados judicialmente em formação de quadrilha. Contratos superfaturados na Refinaria Abreu e Lima (que o governo quer ver na CPI abrangente) fizeram com que o orçamento inicial de R$ 2,5 bilhões chegasse a mais de 20 bilhões. Pelo jeito o governo sabia dos chunchos que o conjunto vinha cometendo. O Consórcio Nacional Camargo Correa teria contratado empresas de quadrilheiros indiciados.
Papa nosso
O papa atual é argentino, mas João Paulo, a ser canonizado, é de certa forma nosso, tal a vinculação afetiva por sua passagem na cidade, especialmente com a comunidade polonesa. No fim de semana eventos marcarão o acontecimento no Bosque do Papa, Centro Cívico. Diz-se que alguns da etnia rezam assim "Papa nosso que estais no céu...". Papa não é Deus, mas a ponte entre Ele e a sociedade. Daí porque pontífice.
Folclore
Setores funcionais, que há anos não recebem benefícios, acusam o governo Beto Richa de ter se tornado refém do professorado, tantas as vantagens concedidas ao ponto de estarem com 70% a mais do piso nacional. Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos, é verdade, mas vale também para as eleições.
Insânia
Há mais de 5 mil inquéritos sem andamento em Fazenda Rio Grande: há 85 presos em área para 18. No feriadão fizeram um túnel de sete metros, mas foram barrados. É a síntese do Paraná em segurança: caos absoluto.





