O tempo conspira
Quanto mais demorar o julgamento e a decisão do caso André Vargas só ele se beneficiará ao criar uma expectativa em torno de sua defesa, enquanto o partido e seus candidatos sangram. Ainda que isolado, e até por isso, dentro do partido tende a acumular energia a seu favor, enquanto os demais degradam.
Um outro fator beneficia o deputado, alvo de todos os ódios e capaz de gerar alguma irracionalidade, o do vitimalismo, cacoete nacional aplicável de forma permanente ao exercício da política. O vazio abismal que se cria em torno do que pode vir a dizer, seja em sua defesa ou num ato de desespero, é capaz de multiplicar em muitas vezes o efeito, puro e simples, da desejada renúncia. E pode dar rima: de renúncia em denúncia dos pecados veniais e mortais do PT.
O tempo é a favor do réu e até o caso do tucano Carlos Lereia, anteontem, suspenso por 90 dias (335 votos pela punição e 26 contra) pela Câmara Federal, pode aplicar-se por analogia a ele, mas que obviamente não passaria face ao empenho da base aliada em deter a sangria. Lereia foi flagrado em conversas telefônicas com Carlinhos Cachoeira e pelo entendimento antigo sofreria a pena máxima da cassação, ora mitigada por uma "capitis diminutio" filtrada.
Cachoeira, como Youssef, é extrapartidário nas suas atuações e foi apanhado, há tempos, em acertos com a turma da Casa Civil, quando tocada por Zé Dirceu.
André Vargas é um problema para o PT e uma boa solução para oposicionistas pelo potencial tanto do seu silêncio como de sua fala.

Programação
É falha - e talvez aí a causa de todo o tumulto fiscal - a programação financeira da Secretaria da Fazenda. No andamento da crise com os professores percebeu-se que o governo promete pagar os atrasados em mais de R$ 100 milhões por promoções e progressões de mais de um ano e meio como de resto completar os 3% faltantes da hora-atividade no próximo exercício. Vem agora os 6% de reajuste geral a partir de maio e uma anunciada reclassificação do pessoal técnico, aliás há muito protelada. Há ainda as promoções não pagas de várias categorias como delegados de polícia, investigadores e peritos.
Dias passados, para escusar-se do não investimento dos 12% em saúde, foi aberto um crédito, para compensar essa falha constitucional, da ordem de R$ 900 milhões. Mesmo que se trate de compromisso meramente gráfico dá para perceber que não há cuidados com a programação, pois toda a dinheirama retida na União, os celebrados empréstimos, também deverão ser pagos como se dará com a cota do saneamento do Banestado, já em bilhões, e a capitalização do BRDE, enfim uma caudal ininterrupta. Dá para imaginar a loucura que será no fim do ano, outra vez, o pagamento de três folhas do funcionalismo, ainda mais sem a provisão duodecimal do 13º que Eron Arzua cumpria na gestão anterior.

Alto da XV
Como nódoa oleosa, a violência toma conta da cidade e nela a polícia intervem como autoria no caso do Alto da XV. Um vídeo do policial algemando a namorada está nas redes sociais: teria executado a mulher e tentado o suicídio.

Folclore
Só falta agora recriar os "vermelhinhos" que eram o terror dos devedores expostos à execração em cima dos atrasos do governo. Um cineasta que tem grana a receber estaria disposto a fazer exibições na secretaria da Fazenda. Se a moda pegar teremos efeitos mais devastadores do que a greve de professores, embora a grosseria e rusticidade do procedimento, ilegal e estúpido, todavia revelador da impaciência. O pior é que o governo atendeu o espalhafato em módicas prestações.

Fanfest
A Fanfest, celebrações durante a Copa do Mundo, está acertada na Pedreira Paulo Leminski com shows e telões durante 30 dias. Esse é um teste contínuo e por isso mesmo mais importante do que o show de Roberto Carlos.

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