Direito inegável
Espanta o clima de paranoia que tomou conta do lulopetismo para ver, o quanto antes, o deputado André Vargas fora de cena, arquivado, impondo-lhe a renúncia como única alternativa. Estar ligado a um fora da lei, como se dava com o Carlinhos Cachoeira, antes não era delito, mas agora é e de traço infamante porque o personagem é o doleiro Alberto Youssef, agente do rombo da CC-5 do Banestado, o maior do país com 20 bilhões de dólares drenados à especulação.

Se Youssef tinha trânsito livre em ministérios e estatais era porque estava ligado à fauna comum das operações paralelas, não era um desconhecido e sim sabidamente um operador de confiança. O PT não quer nem ouvir as possíveis defesas, se é que existem, de André Vargas, e o ameaça de expulsão, o que também numa ordem democrática e que respeita o contraditório imporia, como norma civilizada, a defesa do acusado.

O desespero é tanto que dá a impressão que na defesa do acusado haja novas e comprometedoras surpresas que afundariam ainda mais a imagem do grupo no poder. O fato é que André Vargas em cena faz o sistema de forças aliadas sangrar e tudo o que é de ruim e imaginável pode aflorar num aluvião sinistro. Dá por isso a impressão de que quem acabará julgado nesse processo é mais o sistema do que o personagem, visivelmente um desastrado, Jerry Lewis numa sala de vidros, mas ainda assim com direito à defesa.

Registro
Caiu, pela primeira vez depois de tanto tempo, o número de famílias endividadas no Paraná, segundo a Fecomércio. Uma abertura num clima nada otimista tende a ser maximizada.

Atuante
Além do papel que desempenhou no estabelecimento do marco civil da internet, o deputado federal João Arruda obteve na Comissão de Fiscalização Financeira que o Tribunal de Contas da União detalhe o andamento das obras da Copa e com a maior brevidade possível. Talvez isso explique de vez a pesquisa que apontou desaprovação ao evento no Paraná e especialmente quanto aos seus resultados negativos, sociais e econômicos.

Licitação
Afinal a licitação do sistema de transporte coletivo de Curitiba é nula, anulável ou inexistente? A matéria já foi colocada como exercício numa de Direito Público. Mesmo que enquadrável, até como "inexistente", hipótese rigorosamente jurídica, o fato é que gerou direitos e tanto que a justiça liberou as empresas de uma pretensa renovação de frotas em liminar.

O problema tem uma dimensão política: quem a promoveu foi o então prefeito Beto Richa assessorado por seu diligente procurador Ivan Bonilha, atual conselheiro do Tribunal de Contas, e, antes disso, az da advocacia eleitoral do grupo dominante. E quem a consolidou foi o ex-prefeito Luciano Ducci derrotado por Gustavo Fruet que tem discreto interesse numa definição clara sobre tão espinhosa matéria.

Dedo duro
Certa vez, no auge da cafeicultura, sugeriu-se que deveria haver homenagem pública ao "picareta", o agressivo mediador de negócios, com uma estátua em praça pública, agora, pelo menos no que se refere à polícia, urge consideração semelhante ao "dedo duro", fator-chave de sucesso em ações contra o tráfico e agora também contra a gangue que faz explodir caixas eletrônicos. E isso se deu ainda ontem quando informantes deram a dica de encontro de quadrilheiros da especialidade na Cidade Industrial seguida de novas prisões.

Folclore
Eliezer Batista, pai do Eike, estudou engenharia civil no Paraná antes de tornar-se o motor da Vale do Rio Doce. Andava sempre de terno com uma flor na lapela na esquina da XV com a Travessa Oliveira Belo e passava-se por nobre russo, razão pela qual era apelidado de Bóris Bacana, um figuraço dos tempos da Curitiba Universitária entre os anos 50 e 60.

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