LUIZ GERALDO MAZZA
Youssef, que fez delação premiada no caso do CC5 e pagou multa de R$ 1 milhão à Justiça Federal, comprometeu-se a não atuar mais na área, mas operação com dólar no paralelo ou na lavagem de dinheiro é como "cachaça" e não abandona o praticante"
Paraná em destaque
Antes o Paraná só tinha ganho destaque na improbidade pelos supostos atos do governador Lupion. Com o passar do tempo e o assentar da poeira, ficou mais ou menos demonstrado o contrário: o ex-governador entrou na política na condição de um dos homens mais ricos do país, dono de dezenas de cartas-patentes de bancos, dentre elas a que geraria o Bamerindus e o América de São Paulo, e dela saiu rigorosamente pobre. Logo ele que além dos bancos tinha fábrica de papel, uma empresa de navegação internacional no rio Paraná, fazendas e, sobretudo, o símbolo do Castelo do Batel e além disso jornais e rádios.
Mais tarde se viu que não era bem assim, mas a imagem negativa foi um dos fatores que levou Ney Braga ao governo e centrado em propostas moralistas, tanto que uma de suas primeiras ações foi o ataque aos jagunços que apoiavam as colonizadoras do oeste-sudoeste. Na verdade houve muita temeridade na forma como Lupion tocou a colonização do oeste, inclusive invadindo áreas da União e sujeitas à aprovação prévia do Senado, todavia que se transformou num fato de marca irreversível.
Pois agora voltamos ao destaque negativo com as denúncias contra o deputado André Vargas e com as prisões em Curitiba do doleiro Alberto Youssef (com um currículo forte por aqui na CC5 do Banestado, no caso Copel-Olvepar, os dois na gestão Jaime Lerner, e mais o do AMA-Comurb de Londrina, na gestão Antônio Belinati), envolvido em ações na Petrobras e ministérios, entre eles o da Saúde, e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, também denunciado em transferência de recursos estatais para campanhas eleitorais.
O cinismo em marcha
Há um setor do lulopetismo, aquele mesmo que dizia o mensalão tratar-se apenas de Caixa 2 ou do eufemismo "recursos não contabilizados", que tenta ligar as ações anteriores do doleiro na gestão Lerner e por extensão na de Belinati, aliado em Londrina, à praxe, ao fazer cotidiano, como se essa precedência favorecesse os governos de Lula e Dilma Rousseff e talvez os justificasse. Ora à exceção do processo Copel-Olvepar, que parece ter sido engavetado, ainda que envolvendo deputados, secretários de Estado e conselheiros do Tribunal de Contas, todos indiciados, os outros tiveram julgamento, e no da CC5 várias personalidades do meio empresarial e financeiro ficaram com os bens bloqueados e não poucos sentenciados e um banco regional, o Araucária, alcançado de roldão pelos acontecimentos, acabou fechado e seus dirigentes enquadrados.
Mas Youssef, que fez delação premiada no caso do CC5 e pagou multa de R$ 1 milhão à Justiça Federal, comprometeu-se a não atuar mais na área, mas operação com dólar no paralelo ou na lavagem de dinheiro é como "cachaça" e não abandona o praticante, tanto que foi apanhado em amplas operações, pelo menos até aqui, junto às estatais como a Petrobras e no amparo aos interesses do deputado André Vargas no Labogen na pasta da Saúde.
Destaque incômodo
Uma das alegações dos governistas nacionais é a de que houve arregimentações como a da reeleição de Fernando Henrique Cardoso e que isso tem um custo e que o caixa dois é também da praxe. Também o mensalão do PSDB mineiro é citado, mas é justamente ali que se capta a diferença de escala no agir de um e de outro. Da mesma forma percebe-se agora com as investigações da Polícia Federal na Petrobras que ali aflorava um outro mensalão, provavelmente bem maior que aquele que levou a cúpula do petismo à cadeia.
O fato é que com a lembrança de episódios como o da CC5 no Banestado e ainda o escândalo Copel-Olvepar, como desdobramento normal da ficha do doleiro Alberto Youssef, o Paraná retoma o ranking da corrupção. Agora, porém, com escassa possibilidade de uma possível reversão como se deu com Lupion.





